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Tempestade política após escolha de Maria Lencastre Portugal para gestão do ITAP

António Alves | 15 minutos atrás em 03-03-2026

A antiga vereadora do Chega no município de Coimbra nomeada para gerir empresa municipal Prodeso.

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O convite, formulado pela presidente da câmara de Coimbra, já era comentado nos meios políticos há algum tempo. Principalmente, depois de Maria Lencastre Portugal – eleita pelo Partido Chega – se ter desvinculado do partido e passado a ser vereadora independente no executivo municipal conimbricense.

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Esta segunda-feira, 2 de março, a informação de que a vereadora independente iria ser a nova gestora-executiva da empresa municipal (responsável pela Escola Técnico-Profissional ITAP) circulou por diversos canais de mensagens, mas a confirmação oficial dessa informação acabou por acontecer apenas depois da reunião do executivo e após uma reunião entre a presidente e o vice-presidente da câmara e a vereadora convidada.

Pouco tempo depois dessa informação, as críticas a esta escolha sucederam-se nas redes sociais e através de comunicados partidários.

A líder da distrital do CDS-PP, Paula Silva, assinou um texto onde refere que este convite “transmite uma mensagem clara de como alguns, utilizam a ideologia volátil não, como doutrina, mas antes como ascensor para os seus interesses pessoais”.

A médica diz que “esta venda política ao PS em troca de um cargo, demonstra claramente um acordo de conveniência, sustentado por interesses de poder e não por um projeto claro para a instituição”.

“O caso levanta questões mais amplas sobre ética política, coerência partidária e credibilidade das instituições. Quando cargos em entidades com impacto na formação de jovens são associados a movimentações partidárias estratégicas, o debate desloca-se rapidamente do plano técnico para o plano moral e político”, explica.

Já o novo presidente da concelhia do PSD, Martim Syder, emitiu um comunicado de imprensa onde faz diversas questões sobre este convite. Em primeiro lugar, querem saber se “existe ou não uma convergência política estruturada entre o PS e o CHEGA em Coimbra”.

Depois, pretendem saber “como se posicionam o Livre, o PAN e o movimento Cidadãos por Coimbra relativamente a esta eventual proximidade”, bem como se “consideram aceitável que decisões estruturantes para o concelho dependam de entendimentos políticos que não são assumidos de forma transparente perante os eleitores”.

“A clareza política é um dever democrático. Quando as circunstâncias levantam dúvidas, o silêncio não protege, fragiliza a confiança dos cidadãos nas instituições. O PSD Coimbra reafirma o seu compromisso com uma governação transparente e coerente, assente na responsabilidade, no rigor e no respeito pelos eleitores”, referem.

Já o vereador da Iniciativa Liberal, Celso Monteiro, afirmou que “esta decisão confirma um padrão político que tem vindo a denunciar: opacidade, acomodação e jogos de bastidores em vez de governação transparente e baseada no mérito”.

Para o autarca, esta decisão vem confirmar que “a realidade política atual demonstra que quem votou Chega em Coimbra acabou, na prática, por contribuir para reforçar a maioria socialista”.

“A gestão de uma escola profissional que enfrenta desafios estruturais relevantes não pode ser tratada como peça de negociação política. O ITAP precisa de competência técnica, visão estratégica e responsabilidade financeira. O que esta decisão revela é uma cultura de poder onde cargos em entidades municipais são utilizados como instrumentos de consolidação política”, frisou.

Veja o vídeo de Celso Monteiro

Do lado socialista – partido que integra a coligação “Avançar Coimbra” -, as críticas vieram de militantes como António Vilhena. Num vídeo publicado na rede social Facebook, o psicólogo refere que a passagem do Chega para independente diz muito “de quem se aproveita dos partidos para depois usufruir dos lugares”.

Para além de considerar “uma falta de vergonha” esta decisão, o antigo deputado municipal afirmou que para ter uma maioria na câmara não se “inibiu de ir repescar a senhora que, ideologicamente, é de extrema-direita”.

“Assim vai o meu PS. Uma vergonha. É preciso apurar a responsabilidade. Em política, gestos simples têm consequências”, disse.

Veja o vídeo de António Vilhena

Do lado do Partido Livre, e segundo informação obrida pelo Notícias de Coimbra, só será conhecida uma posição depois da reunião de quarta-feira, 4 de março, do Grupo de Coordenação Local.

Quanto ao PAN e Cidadãos por Coimbra – também integraram a coligação -, não se conhece qualquer tipo de resposta às solicitações feitas pelo Notícias de Coimbra relativamente a esta escolha de Maria Lencastre Portugal.

A concelhia do PCP emtiu um comunicado onde repudia esta escolha feita pelo atual executivo, pois
“a indicação da vereadora (até há pouco) do Chega corresponderá ao reconhecimento de méritos que não os da proximidade ao serviço prestado pelo ITAP”.

Na nota enviada à comunicação social, é referido que se desconhece “na nomeada um percurso profissional no âmbito da educação e especificamente da educação profissional e artística, algo que é fundamental, seja no plano executivo ou pedagógico”.

“O PCP considera que o respeito pelos alunos do ITAP, pela instituição e pelos próprios munícipes no geral exige muito mais do que voluntarismo e amadorismo, não devendo, em nenhuma circunstância, ser moeda de troca em arranjos de poder camarários”, referem.

O Bloco de Esquerda ainda não se pronunciou sobre a escolha da assistente social eleita pelo Partido Chega e que agora é vereadora independente do executivo municipal conimbricense.

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