Saúde

Sete dúvidas frequentes sobre HPV

Notícias de Coimbra | 2 horas atrás em 02-03-2026

Cerca de 80% das mulheres sexualmente ativas têm contacto com pelo menos um subtipo de HPV ao longo da vida. Na maioria das situações, o organismo elimina o vírus de forma espontânea. No entanto, a infeção pode permanecer latente durante anos, manifestando-se apenas mais tarde. Em vésperas de mais um Dia Internacional de Consciencialização sobre o HPV, Rita Vicente Costa, especialista em ginecologia, explica os riscos deste vírus comum e, muitas vezes, silencioso.

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A contaminação pelo vírus da família Papillomaviridae, mais correntemente designado por HPV, é, na prática, quase inevitável a partir do momento em que uma pessoa inicia a sua vida sexual. Com mais de 200 genótipos já identificados pela ciência, a grande maioria das infeções revela-se, porém, transitória. “O sistema imunitário trata de eliminá-las de forma espontânea, sem necessidade de intervenção médica. Mas nem sempre o curso da doença segue este trajeto. O vírus pode ficar latente, sem sintomas, durante um período variável”, explica a médica do IVI Lisboa.

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Não obstante, quando a infeção persiste, as consequências podem ser significativas. O HPV é responsável pelo aparecimento de verrugas, pela formação de lesões de alto grau e, nos casos mais graves, pelo desenvolvimento de cancro do colo do útero. Neste contexto, os serotipos 16 e 18 assumem um papel central, pois são atribuídos a cerca de 70% dos casos da doença.

Como o vírus pode ser transmitido por via oral, vaginal ou anal, mesmo com uso de preservativo nas relações sexuais, Rita Vicente Costa sublinha que a vacinação, aplicável a ambos os sexos, e a realização de rastreios regulares constituem, atualmente, a melhor estratégia de prevenção. Explica que a deteção precoce é, neste enquadramento, essencial, uma vez que permite identificar alterações suspeitas e esclarecer qual o genótipo ou estirpe de HPV envolvido.

“É frequente recebermos mulheres muito apreensivas, sobretudo quando estão a planear uma gravidez ou já enfrentam dificuldades em engravidar”, reconhece a médica. Mas a mensagem é clara: o HPV, por si só, não equivale a infertilidade, mas também não deve ser ignorado, em particular quando existem outros fatores de risco. Para ajudar a esclarecer as dúvidas mais recorrentes, Rita Vicente Costa responde a sete preocupações comuns sobre HPV.

1. Ter HPV significa que vou ter dificuldades em engravidar? Não necessariamente. O HPV não causa infertilidade de forma direta. O risco aumenta apenas em contextos específicos, nomeadamente quando existe uma infeção concomitante, como a clamídia, ou quando há sequelas resultantes de tratamentos cirúrgicos no colo do útero.

2. O HPV pode afetar a fertilidade mesmo sem sintomas? Sim. O vírus pode permanecer inativo ou assintomático durante longos períodos. Ainda assim, pode estar associado a alterações que só são detetadas em exames de rastreio, razão pela qual a vigilância regular é essencial.

3. Há diferenças entre os tipos de HPV quando se pensa em ter filhos? Existem diferenças relevantes. Os genótipos de alto risco, como o 16 e o 18, estão associados a lesões pré-cancerígenas e cancro, podendo implicar tratamentos que, indiretamente, afetam a fertilidade, sobretudo se envolverem intervenções no útero ou no colo do útero.

4. O HPV pode interferir com tratamentos de fertilidade? Pode, em alguns casos. Quando existem sequelas anatómicas ou inflamação associada a infeções sexualmente transmissíveis, os tratamentos de fertilidade podem tornar-se mais complexos, daí a importância do diagnóstico atempado.

5. A vacina contra o HPV é útil em adultos que querem engravidar? Sim. A vacinação é recomendada para ambos os sexos, mesmo em idade adulta. A vacina não trata infeções existentes, mas protege contra estirpes a que a pessoa ainda não esteve exposta, reduzindo recidivas e riscos futuros.

6. Os homens também devem ser rastreados em contexto de infertilidade? Devem. Dados europeus indicam que 31% dos homens sexualmente ativos têm HPV e 21% estão infetados com tipos de alto risco. Nos homens, o vírus pode provocar baixa mobilidade espermática, afetar a qualidade do sémen e a fragmentação do DNA, influenciando diretamente a probabilidade de gravidez.

7. Posso engravidar normalmente se tiver HPV? Quando a infeção é transitória, não provoca lesões e é devidamente acompanhada, o HPV pode não ter qualquer impacto no projeto reprodutivo. Com rastreios regulares e acompanhamento médico, é possível engravidar e levar uma gravidez a termo sem complicações.

Rita Vicente Costa reforça que a deteção precoce permite agir atempadamente, esclarecer o tipo de HPV envolvido e evitar consequências que possam comprometer a saúde da mulher, incluindo a saúde reprodutiva.

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