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Poluição no ar está a fazer as formigas atacarem-se entre elas

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 3 horas atrás em 02-03-2026

Um novo estudo científico alerta que a poluição atmosférica causada pelo ser humano pode estar a comprometer de forma grave as sociedades de formigas, alterando o seu comportamento social e até levando a ataques dentro da própria colónia.

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A investigação, liderada por especialistas do Max Planck Institute for Chemical Ecology, constatou que contaminantes do ar como o ozono — um poluente comum em áreas urbanas — podem degradar os compostos químicos na superfície das formigas que são essenciais para que elas se reconheçam como membros da mesma colónia.

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As formigas utilizam sinais olfativos — perfumes químicos específicos compostos por hidrocarbonetos como alkenos — para distinguir quem pertence à sua colónia e quem é um intruso. No entanto, o estudo mostra que altos níveis de ozono, semelhantes aos que ocorrem em dias de poluição nas grandes cidades, reagem com estes compostos e alteram o odor natural das formigas.

Em testes em laboratório com seis espécies de formigas, os cientistas verificaram que bastaram 20 minutos de exposição a ar com níveis poluentes comparáveis aos urbanos para que muitas formigas deixassem de ser reconhecidas pelos seus próprios companheiros. Como resultado, em cinco das seis espécies estudadas, os membros expostos ao ozono foram atacados pelos seus próprios colegas ao regressarem à colónia, confundidos com “inimigos”.

Noutros testes, pequenas colónias e as suas larvas foram expostas ao mesmo tipo de poluição. Os investigadores encontraram evidências de que a comunicação entre operárias e crias foi tão alterada que algumas colónias neglicenciaram os cuidados com as larvas, levando à morte das futuras formigas.

Estima‑se que existam cerca de 30 000 espécies de formigas no mundo, cuja biomassa total rivaliza com a de todos os pássaros e mamíferos juntos. Elas desempenham funções ecológicas vitais — como aerar o solo, dispersar sementes e decompor matéria orgânica — que sustentam ecossistemas inteiros.

Este estudo alerta que a poluição não afeta apenas seres humanos e plantas, mas pode também desorganizar processos sociais complexos em espécies insetívoras, com consequências potenciais para cadeias alimentares e equilíbrio ecológico.

A diminuição das populações de insetos em muitos habitats — atribuída principalmente a pesticidas, perda de habitat e alterações climáticas — pode estar a ser agravada por poluentes atmosféricos que interferem na comunicação química entre estes animais.

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