Saúde

Ciência diz que a dor nas mulheres demora mais tempo a passar

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 3 horas atrás em 02-03-2026

Um novo estudo científico sugere que a razão pela qual muitas mulheres sentem mais dor e por mais tempo do que os homens pode estar ligada ao sistema imunitário e não apenas à perceção subjetiva.

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A investigação, publicada na revista científica Science Immunology, identificou um mecanismo biológico que ajuda a explicar esta diferença entre os sexos: um tipo específico de células imunitárias, os monócitos, pode ser a chave para desligar os sinais de dor após uma lesão.

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Quando o corpo sofre uma dor, os neurónios que detetam a dor são ativados e o sinal de dor é enviado ao cérebro. Normalmente, com o tempo e à medida que o organismo recupera, esses sinais diminuem. No entanto, a investigação mostrou que este processo de “desligar” a dor não é passivo — é ativado pelo sistema imunitário através de uma molécula chamada interleucina‑10 (IL‑10), produzida por monócitos.

Nos testes realizados, descobriu‑se que nos homens estes monócitos produzem mais IL‑10, o que ajuda a sinalizar aos neurónios que podem reduzir os sinais de dor mais rapidamente. Já nas mulheres, a atividade destes monócitos e a produção de IL‑10 foram menores, o que pode resultar numa resolução mais lenta da dor.

Os níveis hormonais parecem desempenhar um papel importante neste processo: a hormona testosterona, mais presente em homens, estimula os monócitos a produzirem mais IL‑10, facilitando a resolução da dor.

Estas descobertas desafiam a ideia antiga de que as diferenças na duração da dor entre homens e mulheres são fruto de percepções emocionais ou psicológicas. Pelo contrário, mostram que existem mecanismos biológicos que efectivamente influenciam a forma como a dor persiste — e que estes mecanismos funcionam de forma diferente nos dois sexos.

Os investigadores esperam que esta compreensão possa conduzir, no futuro, a novos tratamentos que acelerem a resolução da dor, em vez de apenas mascarar os seus sinais. Estratégias que aumentem a produção de IL‑10 ou que atuem diretamente no sistema imunitário podem abrir caminho a terapias não opioides mais eficazes para pessoas com dor crónica.

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