Pelo menos sete vereadores eleitos pelo Chega nas eleições autárquicas de outubro desfiliaram-se do partido nas últimas semanas, passando a exercer o mandato como independentes, e alguns integraram depois os executivos municipais, garantindo a maioria.
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Em 19 de janeiro, Ana Simões Silva, a segunda vereadora que o Chega conseguiu em Lisboa, anunciou a sua desfiliação do partido, justificando a decisão com “incompatibilidades políticas intransponíveis” com Bruno Mascarenhas, agora único eleito do partido na Câmara Municipal.
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De acordo com a revista Sábado, esta cisão foi justificada com o facto de Ana Simões Silva não ter conseguido, em várias ocasiões, aceder ao gabinete que partilhava com Bruno Mascarenhas, não ter participado na escolha da equipa de apoio e também pela nomeação para cargos municipais da namorada deste dirigente do Chega, da filha do coordenador autárquico do partido ou de uma cabeleireira para assessoria ao vereador relacionada com espaços verdes.
Dias depois, a 11 de fevereiro, a Câmara de Lisboa anunciou que Ana Simões Silva passaria a vereadora a tempo inteiro e teria os pelouros da Saúde do Desperdício Alimentar. Desta forma, o presidente da Câmara, Carlos Moedas (PSD), passou a governar com maioria absoluta.
Também em Vila Nova de Gaia, o vereador eleito pelo Chega, António Barbosa, desvinculou-se do partido no final de janeiro, aceitando integrar, dias depois, o executivo municipal liderado por Luís Filipe Menezes (PSD), que garantiu desta forma a maioria.
António Barbosa ficou com os pelouros das feiras, mercados, ambiente e bem-estar animal, e é também adjunto do presidente do município noutros três.
O Funchal foi outro concelho onde o Chega perdeu representação no executivo municipal. Na semana passada, os dois vereadores eleitos pelo partido anunciaram a saída do partido e a passagem a vereadores independentes.
Luís Filipe Santos e Jorge Afonso Freitas justificaram a decisão com divergências com a estrutura regional do partido e o presidente do Chega/Madeira, Miguel Castro, classificou como a saída dos dois autarcas como um “alívio político”, argumentando que desrespeitaram a disciplina partidária.
Em Coimbra, a vereadora eleita pelo Chega, Maria Lencastre Portugal, desfiliou-se do partido em janeiro devido a uma “incompatibilidade objetiva” entre orientações internas e a forma como entende que deve ser exercido o mandato local.
O partido liderado por André Ventura perdeu também a representação na Câmara de Mirandela, com a passagem a independente de Luís Saraiva, apenas alguns dias após a eleição e ainda antes da tomada de posse, devido a “divergências intransponíveis com a direção distrital do partido, bem como uma falta de apoio gritante durante toda a campanha”.
Também na Marinha Grande, Emanuel Vindeirinho deixou o Chega, após críticas da concelhia.
Numa reação às várias saídas, o líder do Chega, André Ventura, considerou que o crescimento do partido traz desafios maiores de gestão e salientou que o projeto autárquico do partido “mantém-se absolutamente intocável”.
O Chega integra também outros executivos municipais depois de ter celebrado acordos de governação com o PSD, como é o caso de Sintra e, mais recentemente, Cascais.
A presença do Chega nestes executivos motivou críticas de outros partidos que também os integram. Em Sintra, a Iniciativa Liberal retirou a confiança política à vereadora eleita, depois de Eunice Baeta ter aceitado integrar o executivo da câmara, que conta igualmente com vereadores do Chega com pelouros.
Em Cascais, o CDS-PP – partido que integra, com o PSD, a coligação vencedora das últimas autárquicas no concelho – manifestou a sua discordância com a decisão do atual presidente da câmara, Nuno Piteira Lopes (PSD), de atribuir pelouro a um dos dois vereadores do Chega.
A integração do Chega no executivo também levou a uma cisão do PS, com quem o PSD tinha um acordo de governação, e os dois eleitos socialistas abdicaram dos pelouros.
Nas eleições autárquicas de 12 de outubro do ano passado, o Chega conseguiu a presidência de três câmaras municipais – Entroncamento, Albufeira e São Vicente – e elegeu 137 vereadores, tendo sido a terceira força política mais votada.
Também após as anteriores eleições autárquicas, em 2021, o Chega perdeu grande parte dos 19 vereadores que conseguiu eleger, entre os quais o fundador e antigo vice-presidente do partido, Nuno Afonso.
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