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 Um mês depois da tempestade restaurantes continuam quase todos fechados na Praia da Vieira

Notícias de Coimbra com Lusa | 3 horas atrás em 27-02-2026

Um mês depois de a Praia da Vieira, no concelho da Marinha Grande, ter sido dizimada pela depressão Kristin, contam-se pelos dedos os restaurantes e cafés reabertos na localidade onde o rasto da destruição está longe de desaparecer.

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De mangueira na mão Mauro Feitas dava, na quinta-feira, os últimos retoques para reabrir hoje o Cardume Café, um mês depois de o vento e a chuva terem destruído “o telhado, a esplanada, as janelas, o mobiliário e metade das máquinas” do estabelecimento da Praia da Vieira, no distrito de Leiria.

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Com “mais de 20 mil euros de prejuízo” e “sem qualquer apoio”, Mauro deitou mãos à obra para hoje “poder abrir pelo menos com a venda de cervejas e cafés”.

Por saber está ainda o que lhe reserva o futuro, com “o seguro a não querer ressarcir os verdadeiros custos” dos estragos, nem dos prejuízos decorrentes das portas fechadas durante um mês, “com um funcionário em ‘lay-off’ e a receber apoio da Segurança Social”.

Na frente de mar, onde a maior parte dos restaurantes e cafés estão ainda sem telhas e sem janelas, já se almoça na Marisqueira César e no restaurante Cabral, onde os danos não foram tão elevados.

No café Raquel, entre um cliente e outro, é na rua que a dona procura “rede para falar ao telemóvel”, porque “tanto a luz como as comunicações, ora há, ora falham”.

E a todos faltam “as respostas dos seguros” que “mandam peritos para avaliar”, mas “tardam em esclarecer quanto e quando vão pagar”.

Na marginal, só “O Telheiro” serve almoços, desde que no dia 14 reabriu “na parte do café, porque no lado do restaurante máquinas e mobiliário está tudo destruído”, lamentou Marlene Duarte.

O vento, que destruiu “telhados, 45 mil euros de alumínios, um forno de 17 mil euros, uma máquina de lavar de 11 mil euros”, entre outros danos que estima chegarem “aos 200 mil euros”, levou-lhe ainda “uma funcionária que se despediu por ter ficado tão transtornada que não conseguiu aguentar”. Restaram outros dois funcionários e “os familiares” que deitaram mãos à obra para “reparar tudo o que se conseguia e abrir”.

Na esplanada “Âncora”, foi Carlos Costa, de 72 anos, pai do concessionário do espaço, que arregaçou mangas para tentar reparar os danos.

“Ainda o ano passado ele [filho] tinha posto o telhado todo novo, agora ficou sem ele” e sem a esplanada, sem a frente do restaurante e sem a cozinha, disse.

“Uma viga de madeira, pesadíssima, voou mais de 500 metros e foi espetar-se num prédio”, contou, enquanto tentava retirar da estrada escombros do bar que tem tentado recuperar, com ajuda de um grupo de escuteiros de Albergaria-a-Velha.

Do mesmo lado da estrada, só as casas de banho públicas escaparam sem estragos.

Do outro lado, são visíveis os estragos nos dois hotéis ainda fechados, um deles com o bar completamente destruído. Nos prédios, onde as paredes e varandas ficaram cheias de areia ainda há quem tente repor telhas.

As marcas da “noite de horror, com momentos muito amargos”, estendem-se ao carro de Stélia Faustino, onde os vidros deram lugar a plásticos colados com fita, aos contentores de resíduos sem tampas, aos sinais de trânsito e candeeiros vergados pela força do vento, ou ao sítio em que, até ao dia 27 de janeiro, funcionava a típica barraquinha de riscas onde Virgínia Crespo há mais de 40 anos vendia marisco.

“O vento levou tudo, só lá ficou o sítio”, disse à Lusa, lamentando não ter “apoios de ninguém”.

“As barracas dos tremoços e dos carapaus secos têm apoio da junta, mas as do marisco não têm apoio da câmara nem de ninguém, apesar de importância turística”, afirmou, temendo “não conseguir suportar o investimento” para recuperar o negócio.

Na praia, afetada pela tempestade Leslie em 2018, ninguém tem dúvidas que “desta vez foi muito pior” e que os efeitos da depressão Kristin vão deixar muitas marcas na terra, nos negócios e nas mentes de quem a viveu.

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