O presidente do Município de Leiria defendeu que o programa PTRR não pode esquecer “os territórios profundamente afetados” pelo mau tempo e garantiu que será uma voz contra a tentativa de deslocar a atenção da região.
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“Há uma intenção do PTRR que poderá dar suporte não só à reconstrução, mas também àquilo que é uma nova região. Pelos vistos agora já vai ser estendido ao resto do país. Acho que a ambição para o país é sempre boa, desde que não esqueçam os territórios profundamente afetados”, afirmou Gonçalo Lopes.
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O PTRR – Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência é, segundo o Governo, um programa de resposta à catástrofe climática que assolou várias regiões de Portugal continental entre 28 janeiro e 15 de fevereiro, e que visa preparar o país “para um futuro mais seguro, resiliente e competitivo.
Numa entrevista à agência Lusa quando passa um mês desde que a depressão Kristin deixou um rasto de destruição em Leiria e nesta região, Gonçalo Lopes promete não esquecer o que sucedeu na madrugada do dia 28 de janeiro.
“Eu não hei de esquecer o que aconteceu aqui, qualquer tentativa de deslocar as atenções de Leiria ou da Marinha Grande ou desta região afetada ou de Ourém, irei ser uma voz. Não me irei calar nunca. Podem não vir cá, mas as ajudas têm de cá chegar”, sustentou.
Sobre o plano que tinha idealizado para o concelho, “muito associado à habitação, à economia, à saúde”, o autarca, reeleito em outubro último, garantiu que “se não conseguir através dos apoios”, a alternativa será a contração de um empréstimo.
“Se for para lançar a economia, se for para concretizar a ambição que desejamos para Leiria, se for para criar um projeto de reorganização da nossa cidade, se for para oferecer melhor mobilidade ou melhor habitação, não tenho problema nenhum em encontrar meios de financiamento para suportar algum desse investimento ou para servir também de autofinanciamento dos projetos que venham a ser aprovados no futuro”, disse, para admitir que como o financiamento não virá a 100%, a outra parte a pagar pela Câmara, poderá ser financiado por crédito bancário.
Gonçalo Lopes adiantou que é nesta matéria que vai trabalhar na próxima semana, com o Banco Português de Fomento e com o Banco Europeu de Investimento.
O autarca explicou que a capacidade de endividamento do município é, neste momento, superior a 150 milhões de euros, estando a pagar um empréstimo no valor de sete milhões de euros.
“Neste momento ou avançamos ou morremos e não podemos morrer. Ou vem dinheiro de um lado ou vem dinheiro do outro ou então vem dos dois”, adiantou.
Questionado sobre o valor do empréstimo a contrair pelo município, Gonçalo Lopes esclareceu que “um empréstimo à volta dos 30 milhões de euros poderá ter uma despesa anual à volta de um milhão de euros”.
“Portanto, até esse montante conseguimos suportar”, assegurou, para notar que se o investimento a realizar for reprodutivo, estiver relacionado com a economia, são geradas mais receitas, sendo “um investimento público que tem o efeito multiplicador”.
Dezoito pessoas morreram em Portugal, seis das quais no concelho de Leiria, na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.
A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou em 15 de fevereiro.
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