Portugal

Depois da tempestade, esta aldeia teme matas transformadas em pólvora no verão

Notícias de Coimbra com Lusa | 1 dia atrás em 26-02-2026

 O presidente da Junta de Freguesia de Casal dos Bernardos, no concelho de Ourém, disse à Lusa que, um mês depois da tempestade, as situações mais preocupantes são os cabos elétricos cortados e a limpeza das matas.

PUBLICIDADE

A aldeia, com cerca de 800 habitantes, foi uma das mais afetadas pela depressão Kristin no concelho de Ourém, distrito de Santarém.

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

publicidade

Além dos estragos nas casas e anexos rurais, há muitas árvores cortadas, sendo que no interior, longe das habitações, a “destruição nos caminhos” foi muito grande.

“Isto é pólvora. É o que temos aqui e, se não fizermos uma intervenção rápida, vamos passar da tempestade de vento para o fogo. A mata está toda no chão e isto é pólvora”, alertou Acácio Pereira, que, aos 52 anos, preside à junta local.

Segundo o autarca, o trabalho vai ser intenso durante os próximos meses “no interior da freguesia”, demonstrando preocupação quanto ao período quente de verão.

Um mês depois da tempestade, os meios de auxílio à limpeza da floresta ainda não foram definidos e, por enquanto, “não se sabe” se vai ser possível o apoio de bombeiros e de militares, ou se vai ser necessário a junta de freguesia fazer tudo com o “envolvimento do povo”.

O “Parque de Merendas”, um espaço de lazer junto a uma ribeira, com um parque infantil e um bar de apoio, ficou totalmente destruído pela passagem da tempestade.

No sábado, “o povo vai começar a limpar o parque”, para ficar operacional nos meses de verão.

“Queremos ver se conseguimos dar vida a isto outra vez. Ficou destruído e vai ter de ser reconstruído”, disse o autarca, referindo-se ao parque usado pelos habitantes de várias freguesias vizinhas e “por peregrinos que se dirigem ao Santuário de Fátima”.

Os choupos, pinheiros e eucaliptos não resistiram à força do vento e destruíram as infraestruturas que se encontravam instaladas, sendo que a ribeira arrasta alguns troncos de árvores partidas.

Na freguesia, uma parte da energia elétrica foi restabelecida, mas segundo Acácio Pereira falta muito trabalho e intervenção da E-Redes.

“Em termos de energia elétrica estamos a 90%, mas há muitos cabos no chão. Neste ponto, a E-redes esteve mal. Ninguém esperava a tempestade, mas a E-Redes já teve tempo para se preparar, porque temos muitos cabos no chão e é um perigo para as crianças e para todos”, criticou o autarca.

O cemitério, que ficou parcialmente danificado, está a ser recuperado, visto que muitas lápides tombaram com a força do vento, danificando campas e jazigos.

Os estragos “vão ter de ser suportados pelas famílias”, lamentou o autarca.

No último mês, a junta de freguesia organizou dois funerais, “óbitos por morte natural”, e até ao momento não se registaram nascimentos na aldeia do concelho de Ourém.

“Nasceu um bebé antes da tempestade”, disse Acácio Pereira.

A escola primária e o infantário, encerrados nos primeiros dias da tempestade, restabeleceram já a atividade, mantendo-se em funcionamento, apesar do mau tempo que continua a afetar a região centro de Portugal.

PUBLICIDADE

publicidade

PUBLICIDADE