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Com espetáculo em Coimbra, Rui Sinel de Cordes: “Só o humor negro pode abordar este país”

Notícias de Coimbra | 3 horas atrás em 25-02-2026

O humorista Rui Sinel de Cordes sobe esta quarta-feira, 25 de fevereiro, ao palco do Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV), em Coimbra, às 21:30, com o espetáculo “Portugal, Amor não correspondido”. O 13.º solo da sua carreira assume-se como uma reflexão mordaz sobre identidade, memória coletiva e a relação emocional, muitas vezes contraditória, dos portugueses com o país.

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Depois de várias apresentações noutras cidades, o comediante considera este um dos seus trabalhos mais conseguidos , “este é mesmo um dos melhores espetáculos da minha vida”, colocando-o já no “top 3” do seu percurso. Após cinco ou seis sessões, garante que o espetáculo está afinado e fiel à ideia inicial, “estou muito contente porque acho que estou a conseguir passar mesmo o que eu queria quando imaginei este espetáculo”.

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Nascido em 1980, Rui Sinel de Cordes constrói o espetáculo a partir de uma viagem geracional. Em palco, revisita as décadas de 80 e 90, contrapondo-as à realidade das últimas duas décadas: “Ali a partir de 2000 (…) tudo ficou estranho, as cores deixaram de ter tanta cor e as pessoas ficaram também um bocado mais esquisitas”.

O título “Portugal, Amor não correspondido” parte de uma metáfora relacional. O humorista compara a ligação dos portugueses ao país a uma relação amorosa que começa na paixão e evolui para a desconfiança: “Estou a fazer uma viagem quase como uma relação, em que os primeiros tempos são promessas (…) e depois começa a haver desconfiança”. Ainda assim, sublinha que o vínculo permanece, “não há ninguém que vá para fora e que esqueça este amor (…) quanto mais saímos, mais viva fica a nossa paixão”.

Um dos elementos cénicos do espetáculo é a imagem de Nossa Senhora de Fátima, que remete as paredes das casas dos avós e a memória de infância. Rui Sinel de Cordes esclarece que não se trata de uma provocação religiosa, mas de um símbolo afetivo. O cenário relembra “uma casa de uma avó” e para aquilo que estava “sempre presente nas casas”, funcionando como representação de conforto, tradição e de um tempo que associa a maior proximidade e simplicidade. “É mesmo só um elemento decorativo”, frisou.

Fiel ao registo que o caracteriza, o humorista volta a recorrer ao humor negro como ferramenta de análise social: “Agora acho que é a única maneira. Só o humor negro pode abordar este país”, afirma, defendendo que “qualquer outro humor parece-me leve demais para a nossa realidade”. Para o comediante, é necessária “inteligência emocional” para distinguir a provocação humorística de um ataque aos valores individuais.

Aos 46 anos, Rui Sinel de Cordes assume também uma evolução na forma como se apresenta em palco. “Cada vez é menos personagem (…) fui aproximando do que eu sou”, refere, acrescentando que fora de cena é “muito mais calado e sossegado”.

Com início marcado para as 21:30, “Portugal, Amor não correspondido” promete transformar o palco do TAGV num espaço de reflexão crítica e humor ácido sobre o país, cruzando memória, desencanto e a permanente tensão entre amor e frustração na forma como os portugueses olham para Portugal.

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