Um novo estudo científico indica que pode existir uma relação entre níveis mais baixos de inteligência (medidos por testes de QI) e a probabilidade de envolver‑se em atos de violência impulsiva.
A investigação foi publicada recentemente na revista especializada Intelligence e tem vindo a ser destacada pela imprensa científica internacional, incluindo no ZME Science.
Segundo os autores, a associação observada não significa que pessoas com um QI mais baixo sejam automaticamente violentas, mas sim que podem ter menos recursos cognitivos para gerir conflitos de forma pacífica, o que pode facilitar reações agressivas em situações de frustração ou stress. A violência impulsiva — caracterizada por reacções rápidas e emocionais, sem planeamento — foi particularmente associada a esta tendência.
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A revisão de várias pesquisas sugere que pontuações de QI mais baixas estão consistentemente associadas a maior probabilidade de comportamento violento impulsivo, mesmo depois de considerar fatores como género ou estatuto socioeconómico.
A correlação observada entre QI e violência impulsiva é modesta mas robusta, com coeficientes que indicam um padrão consistente nos dados analisados.
Os investigadores sublinham que a inteligência é apenas um dos muitos factores que influenciam a violência, que também envolve componentes psicológicos, sociais e ambientais.
Os resultados sugerem que capacidades cognitivas mais elevadas — incluindo melhor capacidade de resolução de problemas ou de antecipar consequências — podem ajudar os indivíduos a responder de forma mais calma e ponderada perante situações conflituosas.
Importante sublinhar: ter um QI mais baixo não determina nem prediz, por si só, comportamento violento. Trata‑se de uma tendência estatística observada em grupos amplos de pessoas, e não de uma regra que possa ser aplicada a indivíduos.
A investigação integra um debate mais alargado sobre as complexas interacções entre capacidades cognitivas, controlo emocional e comportamento social, e poderá ter implicações em áreas como reabilitação ou intervenção em contextos de violência.