A Infraestruturas de Portugal (IP) registou, nas redes rodoviária e ferroviária nacionais, mais de 4.200 ocorrências durante as últimas semanas, tendo já sido “reaberta a quase totalidade da infraestrutura” sob a sua gestão, indicou, num comunicado.
Segundo a IP, na rede rodoviária nacional que gere, com cerca de 13.000 quilómetros (km), “foram registadas, desde 21 de janeiro, 3.632 ocorrências no Centro de Controlo de Tráfego”, que incluíram “cortes e condicionamentos de troços, danos em pavimentos, instabilidade de taludes, deslizamentos de terras e quedas de árvores”.
De acordo com a empresa, “foram registados 336 cortes temporários de estrada, encontrando-se atualmente ativos 44 troços (cerca de 1,21% do total), dos quais 36 correspondem a situações de natureza estrutural e oito a condicionamentos conjunturais”, sendo que, durante este período foram recebidas mais de 15.000 chamadas.
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A IP indicou ainda que, para assegurar a resposta na rede rodoviária, “foram mobilizados, em média, 1.500 operacionais, 550 viaturas e 13 limpa-neves, tendo sido aplicadas 1.641 toneladas de massas betuminosas, 8.491 toneladas de pedra e 630 toneladas de sal-gema”, sendo que “a grande maioria da rede encontra-se reaberta”.
“Os troços ainda condicionados concentram situações de maior complexidade geotécnica, encontrando-se em curso intervenções provisórias e planeamento de obras estruturais”, destacou, apontando algumas reconstruções, em particular na zona Oeste do distrito de Lisboa e em vários concelhos da zona Centro, que “exigirão intervenções mais prolongadas, em função da dimensão e complexidade técnica dos danos”.
Já na rede ferroviária, entre 28 de janeiro e 15 de fevereiro, foram registadas 633 ocorrências, das quais 532 já foram resolvidas pelas equipas de manutenção da IP.
“Numa primeira fase, os danos resultaram sobretudo dos ventos fortes, com incidência na infraestrutura de catenária”, indicou, detalhando que, “posteriormente, a precipitação intensa provocou inundações da via, com particular impacto na Linha do Norte e no Ramal de Alfarelos, bem como deslizamentos de taludes, queda de blocos, assentamentos da plataforma ferroviária e danos em estações e coberturas”.
Segundo a IP, “persistem algumas interrupções ou condicionamentos de circulação”, que dependem “da execução de intervenções estruturais e da verificação rigorosa das condições de segurança”.
“Destaca-se a situação na Linha do Oeste, onde a reposição integral do serviço está dependente de análise detalhada em curso, dada a gravidade dos danos registados”, referiu, indicando ainda “o encerramento da Linha do Douro, adotado por prudência face às características específicas das encostas ao longo do traçado, e a Linha da Beira Baixa, onde os estragos significativos estão em avaliação”.
Já a Linha da Beira Alta foi a que registou menor número de ocorrências.
Globalmente, “a IP mantém uma média de cerca de 200 intervenções diárias no terreno, assegurando operações contínuas de desobstrução, reparação de infraestruturas, estabilização de taludes, reposição de sistemas de sinalização e restabelecimento das condições de segurança e circulação, tanto na rede rodoviária como na rede ferroviária”, o que garante “uma resposta permanente e atual às necessidades de recuperação”.
A IP está a trabalhar no “restabelecimento das condições de exploração, incluindo a intervenção em pavimentos fortemente degradados pela intensa pluviosidade e a recuperação funcional dos sistemas ferroviários afetados”, bem como na reconstrução de infraestruturas, “através de intervenções estruturais de maior complexidade técnica”.
Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.