Cabo Verde é um dos principais locais do mundo de reprodução anual de tartarugas, mas o aquecimento do mar faz com que cheguem mais cedo, tenham menos ninhadas e menos crias de cada vez, conclui-se num novo estudo.
O trabalho de pesquisa foi publicado no portal Animals, que faz parte da rede na Internet do MDPI (Multidisciplinary Digital Publishing Institute) e junta uma equipa de instituições britânicas e de Cabo Verde.
Os investigadores seguiram tartarugas marinhas durante 17 anos.
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“Foram realizadas patrulhas noturnas apeadas e levantamentos matinais durante as épocas de nidificação, de junho a novembro, entre 2008 e 2024”, na ilha do Sal, detalha-se no estudo.
Na pesquisa concluiu-se que “anos mais quentes” estiveram associados a um ritmo biológico “mais precoce e a épocas de nidificação mais longas”.
Ao mesmo tempo, “o aumento das temperaturas reduziu a quantidade de alimento no oceano, o que prolongou os períodos de alimentação e, consequentemente, diminuiu a frequência e o tamanho das ninhadas”.
“Este declínio da produção reprodutiva pode, em última análise, comprometer a resiliência da população e atrasar a recuperação face ao aquecimento climático contínuo”, assinalam os investigadores.
O trabalho segue em linha com outros, reunindo provas da influência do aquecimento climático nos ritmos biológicos das espécies, podendo comprometer algumas populações.
Neste caso, “mais tartarugas produzem menos ninhadas do que se pensava anteriormente” e “o declínio do tamanho corporal reduz ainda mais a produção reprodutiva, uma vez que as fêmeas mais pequenas produzem ninhadas mais pequenas”, detalha-se no documento.
“O contínuo declínio da produção reprodutiva sublinha a necessidade de mitigar os impactos do aquecimento climático na área dos recursos alimentares para salvaguardar esta população que, dado o seu tamanho, tem uma importância global”, apontam os autores.
Estima-se que a ilha do Sal albergue entre 9.000 a 17.000 fêmeas no pico de cada época de nidificação.
“Sendo a Ilha do Sal a segunda maior concentração de tartarugas-comuns em Cabo Verde, estes números sublinham que o arquipélago é uma das maiores zonas de nidificação a nível mundial e destacam a importância da sua conservação”, conclui-se.