Saúde

Viver nas montanhas pode manter a diabetes à distância

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 2 horas atrás em 23-02-2026

Investigadores descobriram agora uma explicação biológica para um fenómeno observado há décadas: pessoas que vivem em regiões de grande altitude desenvolvem diabetes com menos frequência do que aquelas ao nível do mar.

De acordo com um estudo conduzido pelos Gladstone Institutes, em ambientes onde o nível de oxigénio é mais baixo — como nas montanhas — os glóbulos vermelhos do sangue mudam o seu metabolismo. Nestas condições, passam a absorver grandes quantidades de glucose da circulação sanguínea, funcionando como verdadeiras “esponjas de açúcar”.

Esta adaptação ajuda o organismo a lidar melhor com o ar rarefeito, ao mesmo tempo que reduz os níveis de açúcar no sangue — um dos fatores determinantes na diabetes.

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Os investigadores testaram ainda uma droga experimental chamada HypoxyStat, que reproduz os efeitos de baixos níveis de oxigénio sem necessidade de viver em altitude. Em modelos de ratinhos com diabetes, o tratamento conseguiu reverter completamente os níveis elevados de açúcar no sangue, superando tratamentos tradicionais.

Este resultado aponta para uma estratégia terapêutica inovadora no combate à diabetes — explorando o próprio sistema de transporte de oxigénio do corpo como forma de “desviar” sugar do sangue para dentro dos glóbulos vermelhos.

A equipa científica envolvida considera que estas descobertas vão “muito além” de explicar diferenças geográficas na incidência da diabetes. A capacidade dos glóbulos vermelhos de se tornarem um importante reservatório de glucose pode abrir portas a novos tratamentos e a uma compreensão mais ampla de como o corpo regula o açúcar no sangue em resposta a variações ambientais.