Os brinquedos desempenham um papel fundamental no desenvolvimento infantil, estimulando a criatividade, a coordenação e a socialização. Em Portugal, estes produtos estão sujeitos a regras de segurança rigorosas, mas ainda assim persistem riscos, sobretudo em brinquedos adquiridos através de plataformas online, que podem escapar a uma fiscalização tão apertada quanto a aplicada no mercado físico.
Entre os materiais que mais preocupam está o policloreto de vinilo (PVC), um plástico muito utilizado pela sua resistência e baixo custo, mas que frequentemente contém plastificantes como os ftalatos, associados a alterações hormonais e reprodutivas.
Quando os brinquedos são levados à boca, hábito comum nos primeiros anos de vida, algumas destas substâncias podem migrar para o organismo da criança, representando exposição contínua a compostos potencialmente tóxicos.
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Segundo a NIT, “Muitas destas substâncias são cancerígenas e funcionam como desreguladores endócrinos. Podem bloquear a ação de uma hormona ou alterar a produção de outra, e isso é particularmente preocupante porque o sistema hormonal regula etapas essenciais como o metabolismo, o desenvolvimento neurológico, a puberdade e o funcionamento da tiroide”.
A entidade acrescenta que a interferência hormonal em idades precoces pode ter consequências a médio e longo prazo, dado que o organismo infantil ainda se encontra em desenvolvimento e é mais vulnerável a agentes externos.
Além do risco oncológico, a exposição a determinados químicos presentes nos brinquedos pode provocar lesões hepáticas e renais, enfraquecimento do sistema imunitário, alterações no desenvolvimento e problemas reprodutivos na vida adulta.
“O risco depende da quantidade de substância presente, do tempo de exposição, quanto mais prolongado, pior, da suscetibilidade dos miúdos e do chamado efeito cocktail, porque um único produto pode conter vários químicos”, salienta a NIT.
Entre os compostos mais estudados encontram-se ftalatos já proibidos em brinquedos na União Europeia, devido à sua ligação a alterações do sistema endócrino e do desenvolvimento reprodutivo, assim como bisfenóis e PFAS, conhecidos pela sua persistência no ambiente e no organismo.
Apesar disso, até ao momento não existem casos claramente identificados em que se consiga provar que um determinado brinquedo tenha causado uma doença específica a uma criança.
“Já houve chupetas retiradas do mercado por conterem substâncias na borracha que não eram permitidas e não houve nenhuma criança que tivesse manifestado doença. Relacionar causa e efeito é muito difícil”, esclarece a NIT.
Para reduzir riscos, a especialista aconselha os pais a consultarem o Guia Digital de Segurança de Produtos Para Crianças, criado pela Associação para a Promoção da Segurança Infantil, e a preferirem compras no mercado tradicional, nacional, sempre que possível.