Investigadores continuam a desvendar um dos comportamentos humanos mais comuns — e mais enigmáticos —: o bocejo. Apesar de quase todas as pessoas bocejarem vários vezes por dia, a sua verdadeira função biológica continua envolta em mistério.
Um estudo recente, conduzido por cientistas da University of New South Wales e do Neuroscience Research Australia, utilizou rastreios de ressonância magnética (MRI) para observar como o corpo reage durante o bocejo. Os resultados sugerem que este ato involuntário pode ter um papel até agora pouco compreendido na dinâmica dos fluidos cerebrais.
Durante um bocejo, o líquido cefalorraquidiano (LCR) e o fluxo sanguíneo venoso parecem mover-se na mesma direcção, algo que normalmente não acontece no cérebro. O bocejo também foi associado a um aumento do fluxo arterial carótido interno, que pode ajudar a melhorar a circulação sanguínea.
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Este padrão sugere que o bocejo não é apenas um simples reflexo respiratório, mas um movimento cardiorrespiratório complexo que pode contribuir para funções como: regulação dos fluidos neurológicos, transporte de substâncias no cérebro e até a remoção de resíduos metabólicos.
Os cientistas afirmam que o propósito completo do bocejo ainda não foi determinado. Algumas teorias antigas relacionam-no com a termoregulação (arrefecimento do cérebro) ou com a comunicação social entre indivíduos. No entanto, esta nova investigação abre a possibilidade de que o bocejo tenha múltiplos efeitos fisiológicos, alguns dos quais apenas agora começam a ser compreendidos.
O bocejo — que também se observa noutras espécies vertebradas e é frequentemente “contagioso” — pode revelar-se um comportamento essencial, não apenas um sinal de sono ou cansaço, mas um mecanismo importante para a saúde do sistema nervoso.