O reitor do Santuário de Fátima, padre Carlos Cabecinhas, disse hoje que o turismo religioso pode ser motor de recuperação da Região Centro, gravemente atingida pelo mau tempo.
Aos jornalistas, à margem da 13.ª edição dos Workshops Internacionais de Turismo Religioso, que hoje começou em Fátima, Carlos Cabecinhas começou por dizer que “a tendência de afluência de visitantes e peregrinos a Fátima tem vindo a aumentar”, sendo que “o ano de 2025 foi animador a esse nível”.
Contudo, admitiu que “todo este grau de destruição que se verificou com a passagem das várias tempestades e que atingiu, sobretudo, a Região Centro, terá impacto, necessariamente, pelo que atingiu de infraestruturas”.
PUBLICIDADE
“Agora, é a minha convicção também de que o turismo religioso pode ser o motor de recuperação desta região. A minha expectativa, mais do que uma apreensão, é positiva de que o turismo religioso na Região Centro e, concretamente, em Fátima, seja, de facto, o motor para a recuperação do território”, declarou.
Confrontado com a eventualidade de milhares de famílias que sofreram danos nas suas casas não terem possibilidades financeiras de fazer turismo ou peregrinar, o reitor do maior templo mariano do país explicou que no “turismo religioso, sobretudo internacional”, esta questão não se coloca.
“A nível daquilo que são a maior parte dos nossos visitantes, que são precisamente os portugueses, haverá uma dificuldade maior em vir e eu diria, sobretudo, uma dificuldade maior em permanecer”, reconheceu, para referir não acreditar que “as pessoas deixem de vir a Fátima”, mas “talvez possam é ficar menos tempo pelos impactos económicos” que tiveram.
O sacerdote adiantou que “o turismo religioso atrai visitantes e, muitas vezes, visitantes que não são desta região”.
“E essa presença, e uma presença numerosa, pode trazer recursos à região e permitir precisamente essa recuperação”, sustentou.
Reconhecendo que “há infraestruturas atingidas e que é preciso refazê-las para que haja condições para essa recuperação”, Carlos Cabecinhas afirmou estar convencido de que, “com a colaboração de todas as entidades”, pode haver um contributo muito positivo do turismo religioso.
Cerca de 6,5 milhões de peregrinos estiveram em 2025 no Santuário de Fátima, um aumento face a 2024, com a instituição a destacar o aumento do número de grupos de fiéis registados, particularmente oriundos da Indonésia.
“O número de peregrinos que visitou o Santuário de Fátima, em 2025, e participou em pelo menos uma celebração, foi de 6.478.323, o que traduz um aumento de 241.913 fiéis face ao ano anterior”, segundo uma nota enviada à agência Lusa.
O Santuário de Fátima registou prejuízos superiores a dois milhões de euros, incluindo a perda de mais de 500 árvores, devido à depressão Kristin.
“Do montante de prejuízos, mais de 200 mil euros correspondem à reabilitação de património em edifícios danificados. Porém, o maior montante de prejuízos, superior a dois milhões de euros, corresponde à perda irreparável de mais de 500 árvores de médio e grande portes”, segundo Carlos Cabecinhas.
Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.
A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou no domingo.