Primeira Página

Não há casamento sem arroz-doce (e nesta aldeia de Condeixa isso é lei)

Notícias de Coimbra | 3 horas atrás em 18-02-2026

Há tradições que resistem ao tempo. E depois há aquelas que sabem a casa, a família e a comunidade. Em Eira Pedrinha, no concelho de Condeixa-a-Nova, na véspera de um casamento, há um ritual que ninguém dispensa: fazer arroz-doce.

Mas não é um arroz-doce qualquer — é aquele que anuncia o amor, que junta vizinhos à porta e que transforma um gesto simples numa celebração coletiva.

O documentário “Não há Casamento sem Arroz Doce”, realizado por Bruno Simões, leva-nos até ao coração desta tradição. Através das imagens, sentimos o vapor doce a sair das panelas, ouvimos as conversas cruzadas na cozinha e percebemos que aqui o casamento começa muito antes do “sim”.

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

publicidade

Quem abriu as portas de casa — e de um momento tão íntimo — foram André Lima e Mariana Teodósio, casal da terra que aceitou partilhar com o país esta herança viva. Entre colheres de pau, travessas alinhadas e a distribuição porta a porta, o arroz-doce torna-se símbolo de união, generosidade e pertença.

Mais do que uma sobremesa, é um anúncio oficial: há casamento à vista. E todos fazem parte.

O filme regista a tradição tal como ela é vivida hoje — sem filtros, sem encenações — preservando um património imaterial que define a identidade da comunidade. Porque em Eira Pedrinha, casar não é só um compromisso a dois. É um acontecimento coletivo.

Num tempo em que tantas tradições se perdem, este é um lembrete doce (literalmente) de que o amor também se constrói à mesa — e em conjunto.

Um registo de amor, partilha e memória que agora pode ser conhecido por todos nós. E que prova que, por vezes, a melhor forma de celebrar o futuro é manter viva a tradição.