O susto já passou, mas o alerta ficou. Depois de dias dramáticos com o caudal do Rio Mondego em níveis preocupantes, o Basófias esteve à beira de um cenário catastrófico junto ao Parque Manuel Braga.
Agora, mais do que falar do perigo vivido, o mestre Jorge Santiago deixa um pedido claro e direto à presidente da autarquia, Ana Abrunhosa.
“Senhora Presidente, é urgente olhar para o assoreamento do Mondego. Há muitas ratoeiras no rio e isto pode voltar a acontecer.”
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Durante o pico do caudal, a embarcação turística ficou de lado, encostada ao patamar das escadas do cais. Uma imagem impressionante.
“Foi uma situação de muita aflição”, relatou o mestre.
“Com 180 ou 200 metros cúbicos por segundo já conseguimos navegar. Agora estamos com 540. Assim é impossível”, explicou.
Quando o nível da água desceu subitamente, o barco assentou no patamar, ficando inclinado. Só com nova subida do caudal voltou a flutuar.
Apesar do susto, não há sinais de rombo. Ainda assim, será feita uma inspeção ao casco com mergulhadores. “Segurança em primeiro, segundo e terceiro lugar”, frisou.
Mais do que o episódio recente, Jorge Santiago aponta o dedo ao estado do leito do Mondego.
“Temos sentido um grande assoreamento nos últimos anos. O rio está cheio de baixos. Há zonas que são verdadeiras armadilhas.”
O mestre recorda que, há décadas, a extração de areia era uma prática comum — e até paga pelos próprios operadores.
“Antigamente pagavam para tirar areia. Hoje esta obra pode ser feita a custo zero, se deixarem o empreiteiro ficar com a areia.”
Segundo defende, a remoção controlada de sedimentos permitiria melhorar a navegabilidade, reduzir riscos em cheias e até beneficiar a construção civil, já que “esta é uma areia limpa, de excelente qualidade”.
O recado ficou claro: é preciso decisão política.
“Espero que a Câmara avance com isto. Não é só pelo Basófias, é pela segurança de todos.”
Com a atividade suspensa até que o caudal normalize e as condições sejam verificadas, o regresso dos passeios turísticos está apontado para março — mas tudo dependerá da evolução do rio.