Economia

Mau tempo: Prejuízos cobertos por seguro vão superar os 500 ME 

Notícias de Coimbra com Lusa | 4 horas atrás em 18-02-2026

 Os danos indemnizáveis devido ao mau tempo vão superar os 500 milhões de euros, tendo já sido participados mais de 115.000 sinistros e pagos e provisionados 360 milhões de euros, anunciou hoje a Associação Portuguesa de Seguradores (APS).

De acordo com um inquérito promovido pela APS junto das suas associadas, até à passada segunda-feira deram entrada nas seguradoras “mais de 115.000 participações de sinistros cobertos por apólices de seguros, confirmando-se que a estimativa de danos indemnizáveis ultrapassará os 500 milhões de euros”.

Segundo a APS, “mais de 88% dos sinistros participados há mais de 15 dias estão em fase adiantada de regularização ou já regularizados”, o que significa que “ou foram peritados, ou foram objeto da avaliação e apreciação simplificada” pelas seguradoras.

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Desses sinistros, mais de 20% já deram lugar ao pagamento total ou parcial das indemnizações devidas, sendo que, se considerados os que foram participados há mais de 15 dias, essas percentagens sobem para 88% e 29%, respetivamente.

Em causa estão os danos cobertos por contratos de seguro na sequência do “comboio de tempestades” que assolou Portugal entre os dias 27 de janeiro e 13 de fevereiro.

Relativamente ao número de sinistros já participados, a APS destaca os relativos a seguros de habitações (90.000), seguros de atividades comerciais e industriais (11.000) e seguros de automóvel (9.000).

No que se refere ao volume de indemnizações pagas ou provisionadas, a informação disponibilizada até ao momento aponta para 170 milhões de euros para reparação e recuperação de habitações, 150 milhões de euros para recuperação de empresas e comércios e 24 milhões de euros em indemnizações relativas ao seguro automóvel.

De acordo com a associação, o dia com mais sinistros participados foi 02 de fevereiro, em que deram entrada nas seguradoras cerca de 11.000 participações, sendo a média diária de participações de cerca de 5.000.

Os distritos em que foram reportados, até agora, mais prejuízos cobertos por seguro são Leiria, com mais de 50.000 sinistros, seguido de Santarém, Lisboa e Coimbra, cada um com cerca de 12.000 a 13.000 sinistros participados.

A APS ressalva que estes dados são ainda provisórios e serão atualizados nos próximos dias.

Entretanto, a associação destaca que as seguradoras mantêm em vigor as medidas de agilização e simplificação adotadas desde o primeiro dia, assim como as equipas de profissionais destacadas para gerir os sinistros decorrentes destes eventos.

“Tal como em eventos de natureza semelhante, constata-se que continua a registar-se em Portugal um défice de proteção através de seguro, facto que […] aumenta o tempo de recuperação deste tipo de eventos e o retomar da normalidade da vida das pessoas e empresas”, nota.

Neste contexto, as seguradoras “esperam que a melhoria do tempo e a saída do tema do espaço mediático não façam esmorecer a intenção anunciada de se criar em Portugal um sistema integrado e articulado entre o Estado e as seguradoras, de proteção em caso de catástrofe natural”.

Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.

A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou a 15 de fevereiro.