Esta quarta-feira, 18 de fevereiro, cumprem-se 695 anos desde a primeira grande cheia que marcou a história do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha em Coimbra, um dos monumentos mais emblemáticos da cidade.
O mosteiro, consagrado a 8 de julho de 1330 pelo bispo de Coimbra, D. Raimundo, foi atingido menos de sete meses depois, a 18 de fevereiro de 1331, por uma cheia de grandes proporções que submergiu o espaço sagrado e o túmulo da rainha D. Isabel de Aragão, obra do Mestre Pêro.
“Esta primeira inundação obrigou a alterações significativas na arquitetura do Mosteiro”, explica a historiadora local Marta Figueiredo. “Os pavimentos foram elevados e foi construída uma plataforma para proteger a arca tumular da rainha, garantindo que futuras cheias não a afetassem diretamente.”
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Segundo a tradição, a trasladação do túmulo de pedra para a capela superior só se tornou possível quando a própria Rainha D. Isabel tocou-lhe com o bordão que trouxera de Santiago de Compostela. “É uma lenda que reflete a devoção e a simbologia atribuída ao Mosteiro desde os seus primórdios”, acrescenta Marta Figueiredo.
Ao longo dos séculos, o Mosteiro de Santa Clara de Coimbra continuou a ser fustigado pelas águas do rio Mondego, dando início a um processo de degradação e transformação que moldou a sua história. Hoje, o monumento permanece como testemunho de resistência e memória da cidade, entre ruína e permanência.
“Cada cheia deixou marcas no Mosteiro, mas também reforçou a ligação entre o rio e a cidade de Coimbra, tornando a história do Mosteiro uma narrativa de resistência, fé e memória coletiva”, conclui a historiadora.