Soure acordou esta manhã com a confirmação do pior cenário. O carro do casal de idosos que estava desaparecido desde o dia 10 foi encontrado submerso numa estrada cortada, fora da rota habitual da família. Os corpos permaneciam dentro da viatura quando as autoridades chegaram ao local.
A equipa da Guarda Nacional Republicana confirmou o trágico desfecho ao início da manhã, depois de um popular ter avistado o veículo dentro de água, cerca das 7:30.
“A Guarda Nacional Republicana tem a lamentar este desfecho e apresenta as condolências à família e a maior solidariedade”, declarou o capitão Marques aos jornalistas.
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Segundo explicou o responsável, o alerta foi dado por um cidadão que reparou na viatura submersa. No local encontram-se o Núcleo de Investigação Criminal e o Núcleo Especial de Operações Subaquáticas da Unidade de Emergência e Proteção e Socorro, que estão a proceder à remoção do carro e das vítimas, bem como às perícias necessárias.
Estrada estava cortada na noite do desaparecimento
Uma das grandes questões levantadas prende-se com o facto de a estrada estar cortada na noite do desaparecimento.
“Sim, esta estrada encontrava-se cortada à data”, confirmou o capitão.
A via estaria apenas sinalizada com fita, à semelhança de muitas outras estradas nos concelhos da Figueira da Foz, Montemor-o-Velho e Coimbra, devido às condições adversas.
Questionado sobre a ausência de vigilância permanente no local, o capitão foi claro:
“Tínhamos patrulhamento contínuo, mas não conseguimos ter militares e bombeiros em cada canto, em cada estrada.”
As autoridades acreditam que o casal poderá ter ficado desorientado. Sabe-se que no dia 10 tinham ido a uma consulta nos hospitais de Coimbra e que, no regresso, a filha perdeu o contacto.
O desaparecimento foi formalmente comunicado no dia 12, no posto da GNR de Montemor-o-Velho. A partir daí foram mobilizados meios cinotécnicos, drones e equipas no terreno. Um pedido de localização por telemóvel indicou uma triangulação nesta zona — área onde as buscas se concentraram desde então.
Crime ainda não está excluído
Apesar de tudo apontar para um acidente, a GNR não fecha portas.
“Neste momento não conseguimos descartar a hipótese de crime. Vão decorrer investigações para verificar de que forma a situação ocorreu”, afirmou o capitão.
As próximas horas serão decisivas. A remoção da viatura e as perícias subaquáticas poderão esclarecer se se tratou de um trágico acidente motivado pela desorientação ou se há outros contornos por apurar.
Para já, fica o luto de uma família e de uma comunidade que acompanhou com esperança as buscas — esperança essa que terminou da forma mais dolorosa.