Com a chegada do frio, cresce também o número de pessoas a queixar-se de sentir frio “até nos ossos”. Esta expressão, tão comum no Inverno, levanta a dúvida: será que é realmente possível sentir o frio nos nossos ossos? Um especialista em anatomia explica o fenómeno — e o que está realmente por trás dessa sensação familiar.
Segundo o professor de anatomia Adam Taylor, apesar de muitas pessoas afirmarem sentir “o frio nos ossos”, os próprios ossos não possuem os mesmos recetores de temperatura que a pele e, por isso, não sentem frio da mesma forma que sentimos na superfície do corpo.
A temperatura corporal normal ronda os 37 °C, mas as extremidades do corpo, como mãos e pés, podem estar até 6 °C mais frias, principalmente em clima húmido e frio — o que acontece frequentemente no Inverno em países como o Reino Unido.
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Embora os ossos em si não “sintam frio”, eles podem ser afetados por alterações de temperatura através de nervos existentes na camada externa do osso, o perióstio. Esta rede de neurónios pode detetar alterações, sobretudo quando o frio é persistente, e transmitir sinais que o cérebro pode interpretar como desconforto ou dor associados ao frio.
Além disso, o frio provoca mudanças no sistema musculoesquelético: o líquido sinovial, que lubrifica as articulações, fica mais espesso, dificultando o movimento. Tendões e ligamentos tornam‑se mais rígidos, diminuindo a amplitude de movimento e aumentando a sensação de tensão. A redução do fluxo sanguíneo para as extremidades, uma resposta natural do corpo para proteger órgãos vitais, contribui para a sensação de frio e rigidez.
Estas respostas do corpo podem aumentar a sensação de desconforto, sendo muitas vezes interpretadas como se o frio “entrasse” nos ossos.
O especialista também alerta para o papel do cérebro e dos níveis de vitamina D no modo como sentimos o frio. Durante meses de pouca exposição ao sol, os níveis de vitamina D podem diminuir, o que está associado a maior sensibilidade à dor e a alterações de humor — fatores que podem fazer com que percebamos o frio de forma mais intensa.
Além disso, condições musculoesqueléticas pré‑existentes, como artrite ou osteoartrite, podem agravar o desconforto térmico, contribuindo para a sensação de dor ou rigidez durante o frio.