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António José Seguro viu de perto zonas afetadas de Coimbra, Soure e Montemor-o-Velho

Notícias de Coimbra com Lusa | 3 horas atrás em 17-02-2026

Imagem: Munícipio de Montemor-o-Velho

António José Seguro visitou na segunda-feira, 16 de fevereiro, as zonas mais afetadas dos concelhos de Coimbra, Soure e Montemor-o-Velho.

O presidente da Câmara de Soure, Rui Fernandes, garantiu que a equipa municipal do ambiente está a “intensificar os trabalhos de limpeza” para que a normalidade volte ao centro histórico nos próximos dias.

Acompanhado do Presidente da República eleito, António José Seguro, o autarca fez uma visita pedonal desde a zona baixa, fortemente afetada pela subida das águas, até ao centro urbano da vila de Soure, distrito de Coimbra.

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Rui Fernandes disse à agência Lusa que foi com alegria que viram as lojas com as portas abertas e os comerciantes a tentarem voltar à vida normal.

“O que os comerciantes nos pedem é que sejamos céleres nesta limpeza, porque o espaço público é importante para que as pessoas tenham confiança de ir para a rua”, contou.

Neste âmbito, e apesar de ter sido dada tolerância de ponto para terça-feira devido ao Carnaval, “a equipa do ambiente trabalhará na mesma”, sendo a limpeza o foco dos próximos dias, acrescentou.

Aquele autarca considerou que, estando “os dois rios (Arunca e Anços) encaixados, a uns 80 centímetros das margens, as pessoas já ganham confiança de voltar ao espaço público” e, por isso, é preciso tê-lo limpo.

António José Seguro e Rui Fernandes passaram também pela zona da feira semanal, que se voltou a realizar, apesar de a lama numa parte do recinto ter obrigado à relocalização dos feirantes.

“Foi muito tímida, mas agradeceram muito, porque estiveram duas semanas sem feira. Uma parte deles são vendedores ambulantes que vivem destas feiras locais e não tiveram nem a de Soure, nem a de Montemor-o-Velho”, contou.

Com a limpeza ainda em curso, o autarca quer já planear o futuro da zona ribeirinha e, com esse objetivo, na terça-feira receberá no município o arquiteto paisagista João Nunes da Silva.

Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.

A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou no domingo.

O Presidente da República eleito, António José Seguro, ouviu as preocupações da população e de autarcas do concelho de Montemor-o-Velho, logo no primeiro dia após a votação em localidades onde as eleições foram adiadas devido ao mau tempo.

“É o meu dever inteirar-me da situação”, afirmou Seguro à chegada ao Celeiro dos Duques de Aveiro, na vila de Pereira, depois de alguns residentes lhe terem pedido para “fazer alguma coisa” por eles.

Depois de ter passado uma semana no seu gabinete no Palácio de Queluz, onde manteve contacto com autarcas, António José Seguro saiu à rua “para ouvir as pessoas e recolher informação”.

Na farmácia local, pediu a uma das técnicas para, além de cumprir com a venda de medicamentos, ouvir também os residentes e evitar alguma solidão.

A presença do Presidente da República eleito foi suscitando a curiosidade da população, que aproveitou a ocasião para pedir para tirar fotografias, primeiro junto à farmácia e depois junto à Igreja Matriz de Santo Estêvão, onde um jovem solicitou ao presidente da Câmara de Montemor-o-Velho, José Veríssimo, para ser fotógrafo durante alguns segundos.

António José Seguro passou pela Ponte de Formoselha, onde lhe prometeram fazer chegar, a seu pedido, relatórios e algumas soluções para aquele local.

Já em Marujal visitou uma habitação bi-familiar, onde só na última noite a água, que entrou rés-do-chão a dentro, começou a baixar, estando ainda bem visível, nas traseiras, o “mar” de água que submergiu um campo de milho e de arroz.

“Foi uma aflição enorme ver os meus sogros ficarem sem casa. Eles vivem na parte de baixo”, contou uma das moradoras.

O Presidente eleito seguiu depois em direção à Ereira, à qual conseguiu aceder a bordo de uma viatura anfíbia dos fuzileiros.

Na Associação Cultural e Desportiva da Ereira, encontrou Joaquim Coelho, o proprietário daquela que é sempre “a primeira casa da Ereira a inundar e a última a ficar sem água”.

“Tive metro e meio de água em casa”, referiu, indicando ainda que as bombas que permitem encaminhar para o canal principal do Mondego a água acumulada nos campos agrícolas “precisam de manutenção”.

“Não lhe prometo nada, mas vim ver: vim recolher informação que para mim é bastante importante. E essa da máquinas das bombas e das bombas que lá deviam estar a trabalhar e podiam ter minimizado estragos, já está registada, nem é preciso tomar nota”, afirmou o Presidente eleito.

Outros populares, concentrados à entrada da Associação Cultural e Desportiva da Ereira também pediram “atenção para a bombagem”.

“O baixo Mondego foi esquecido há muito tempo”, lamentaram.

Depois de almoçar nesta associação, António José Seguro seguirá para Coimbra, com paragens previstas na Câmara Municipal de Coimbra, Cerca de Santo Agostinho e no Parque Verde, à beira Rio (Mondego).

O Presidente eleito, António José Seguro, visitou também Coimbra, algumas das zonas com estragos provocados pelas sucessivas tempestades, mas não prestou declarações aos jornalistas.

Depois da receção e uma de reunião breve na Câmara Municipal, onde já chegou com uma hora de atraso vindo do concelho de Montemor-o-Velho, seguiu-se uma visita ao local da derrocada na cerca de Santo Agostinho, na Alta da Cidade, sempre debaixo de uma chuva miudinha.

Nesta paragem, a comitiva liderada pela presidente da autarquia de Coimbra, Ana Abrunhosa, contou com a presença de Tiago Mariz, provedor da Misericórdia de Coimbra, proprietária dos terrenos.

Parte da cerca de Santo Agostinho, na Couraça dos Apóstolos, junto aos Terraços da Alta, ruiu no dia 07 de fevereiro, devido ao excesso de pluviosidade.

António José Seguro seguiu depois pelas ruas da alta, passando pela Praça da Sé Velha, antes de voltar a parar junto ao antigo edifício do Governo Civil, na rua da Couraça de Lisboa, que acede ao Largo da Portagem, de onde contemplou o rio Mondego.

A comitiva, que integra elementos da rede de Proteção Civil Municipal e o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), deslocou-se ainda ao Parque Manuel Braga, na margem direita do rio Mondego, onde terminou a visita.

Apesar da insistência dos jornalistas, o Presidente da República eleito não quis prestar qualquer declaração.

A presidente da Câmara de Coimbra disse à comunicação social que a reunião e a visita de António José Seguro serviu para reportar os “maiores problemas” que o concelho sofreu nos últimos dias, sobretudo na baixa da cidade.

“Transmitimos ao senhor Presidente o trabalho que todos os presidentes de junta fizeram e o trabalho e contacto com as pessoas e o comércio na preparação para eventual evacuação da Baixa devido ao perigo de inundação”, disse Ana Abrunhosa.

A autarca adiantou que o Presidente da República eleito deixou “palavras de ânimo” e sugeriu que a reconstrução dos territórios afetados deve passar por contratos interadministrativos com o Governo, com capítulos para as várias áreas, numa perspetiva integrada, sem intervenções setoriais, para construir com mais resiliência.

“Os municípios e as comunidades intermunicipais devem ter uma palavra a dizer na reconstrução e Coimbra reivindica contratos administrativos que inclua as várias áreas onde tem de haver intervenção”, sublinhou.

Questionada sobre o fim do Estado de Calamidade, a autarca considerou suficiente o período decretado pelo Governo, que terminou domingo, e disse que o município manteve o estado de emergência municipal para fazer as intervenções necessárias.

No caso da cerca de Santo Agostinho, a presidente da Câmara de Coimbra disse também que ainda não existe contabilização dos prejuízos e a primeira intervenção é de estabilização dos terrenos, numa ação que está a ser conduzida pelo Itcons – Instituto de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico para a Construção, Energia, Ambiente e Sustentabilidade.