Em entrevista ao Notícias de Coimbra, Carlos Tavares, comandante da Proteção Civil, fez o balanço da situação provocada pela cheia do rio Mondego e as medidas tomadas ao longo dos últimos dias.
Segundo Tavares, a chuva que caiu no domingo, 15 de fevereiro, não teve um impacto significativo, dado que estava prevista e não afetou diretamente o nível dos caudais. “Estes aguaceiros estavam previstos e não interfere diretamente com os caudais. Estamos agora com tranquilidade, a ver baixar o nível das águas do rio Mondego”, explicou.
O maior desafio, contudo, permanece em algumas áreas mais afetadas, como a Ereira, onde os habitantes continuam isolados. “Fomos hoje à tarde à Ereira, cumprimentámos as pessoas e elas receberam-nos com simpatia. Agora, temos de aguardar que as águas baixem mais um pouco. A Ereira será o último lugar a recuperar a normalidade”, detalhou o comandante.
PUBLICIDADE
Em relação à situação em Montemor-o-Velho, Tavares indicou que as águas já baixaram consideravelmente, permitindo que a circulação de veículos seja retomada em breve. “Para amanhã, já será possível circular com facilidade em Montemor”, disse, alertando ainda para a necessidade de cautela, uma vez que algumas áreas continuam alagadas e podem representar riscos para os cidadãos.
Ainda sobre as estradas cortadas, o comandante explicou que a Nacional 111 está quase aberta, com a água já a baixar, e a zona das Meãs deve também ser liberada em breve. No entanto, a ligação ao Soure continua interrompida, devido ao nível das águas.
Em relação à Barragem da Agueira, o comandante afirmou que os caudais estão em níveis controlados, com o rio a estabilizar. “Os caudais estão a 800 metros cúbicos por segundo, o que é o ideal”, disse.
Carlos Tavares também fez um balanço positivo da resposta da Proteção Civil e das equipas envolvidas. “A nossa preocupação sempre foi evitar riscos e garantir a segurança das pessoas. A comunicação com os órgãos de comunicação social foi fundamental para avisar e alertar as populações”, sublinhou.
O comandante partilhou ainda o momento de maior tensão vivido durante os dias de cheia: “O colapso do dique perto da ponte da A1 foi o ponto de maior risco. Tivemos de cortar a autoestrada em boa hora, porque foi quando o dique começou a ceder. Felizmente, as medidas tomadas evitaram maiores danos.”
Por fim, Carlos Tavares tranquilizou a população, dizendo que, com a bonomia do tempo nos próximos dias, a normalidade começará a ser recuperada. “Agora é aguardar com tranquilidade, a água está a descer e, em breve, as pessoas poderão retomar a sua vida normal, mas com cautela”, concluiu.
Com o pior já a passar, as autoridades continuam a monitorizar a situação, garantindo que a recuperação será feita com segurança para todos os afetados