As obras de reparação do troço da autoestrada 1 (A1) que desabou após o rebentamento de um dique no rio Mondego, em Coimbra, “durarão algumas semanas” e decorrem “de forma contínua”, envolvendo 70 pessoas, indicou hoje a Brisa.
“Nos últimos dois dias foram depositados mais de oito mil e novecentas toneladas de material pétreo na infraestrutura (enrocamento) no sentido Norte-Sul, de forma a estabilizar os solos sob a laje de transição. Os trabalhos continuam a decorrer de forma contínua envolvendo mais de 70 pessoas. Estes trabalhos, previsivelmente, durarão algumas semanas”, revelou a concessionária, em comunicado.
O trânsito está interrompido junto ao nó de Coimbra Sul, entre os quilómetros 198 e 189, onde a circulação rodoviária se encontra cortada em ambos os sentidos desde pouco depois das 18:00 de quarta-feira, na sequência da rutura de um dique na margem direita no rio Mondego.
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Segundo a empresa, os trabalhos que estão agora a decorrer no troço que desabou na quarta-feira têm como objetivo “garantir a estabilização do aterro junto ao encontro norte do viaduto C do Mondego”, na autoestrada que liga Lisboa e o Porto, para “suster a erosão e impedir novos danos nas duas faixas de rodagem”.
As obras nesta fase estão a ser apoiadas por 33 camiões de transporte de material rochoso, um camião grua, um veículo porta máquinas, duas escavadoras giratórias, um bulldozer e duas minicarregadoras, estando os trabalhos a ser acompanhados por equipas técnicas do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e do Ministério das Infraestruturas e Habitação, acrescenta a empresa.
Além do Ministério e do LNEC, a Brisa está também a trabalhar “em estreita articulação” com o Instituto da Mobilidade e dos Transportes, GNR, Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) e Agência Portuguesa do Ambiente (APA), lê-se na nota.
A Brisa reitera que o desabamento foi motivado pelo rebentamento do dique do Mondego e “subsequente escavação dos solos do aterro, devido ao débito excecional de água no rio”.
As vias alternativas para os utilizadores da A1 mantêm-se o corredor A8/A17/A25 ou o Itinerário Complementar 2 (IC2).
Na quinta-feira, também em comunicado, a Brisa tinha indicado não ser ainda possível estimar o prazo de conclusão das obras de reparação.
Na altura, a empresa adiantou que os trabalhos de estabilização do aterro junto ao encontro norte do viaduto C do Mondego decorrerão em duas fases, a primeira focada no sentido Norte-Sul e a segunda focada no sentido Sul-Norte.
“A prioridade passa, atualmente, pela implementação de medidas que impeçam o agravamento dos danos nas duas faixas de rodagem”, indicou a empresa.
Numa segunda fase, os trabalhos irão centrar-se na estabilização dos solos “sob a laje de transição, no sentido Sul-Norte, de forma a repor as condições da plataforma”.
Na madrugada de quinta-feira, numa visita ao local onde ocorreu o desabamento, o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, já tinha admitido que serão necessárias “várias semanas” para reparar o troço da A1.
Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.