A Baixa de Coimbra continua a viver momentos de grande apreensão perante o cenário de possível cheia centenária. Entre os comerciantes que tentam proteger os seus negócios está Tiago, proprietário de um mini-mercado na zona considerada de maior risco.
Assim que soube do agravamento das previsões, o comerciante deslocou-se de imediato ao estabelecimento para iniciar medidas de prevenção. “Optámos logo por vir à loja, colocar sacos de areia e tirar o máximo de produtos das prateleiras de baixo”, explicou. O objetivo é simples: minimizar os estragos perante uma situação cujo desfecho é ainda incerto.
Tiago admite nunca ter vivido nada semelhante. “Tenho este negócio há cerca de quatro anos e nunca passei por nada assim. Vivo em Coimbra há 13 ou 14 anos e não me lembro de algo sequer parecido”, afirmou, reconhecendo que o clima é de receio generalizado. “Estamos todos um bocado assustados.”
PUBLICIDADE
No interior da loja, funcionários e familiares ajudam a retirar mercadoria das zonas mais baixas e a reforçar portas e montras com sacos de areia. A preocupação centra-se sobretudo nas entradas de vidro e nas fissuras existentes, que poderão permitir a entrada de água ou ceder à pressão. “Se atuarmos só depois de acontecer, já temos estragos. Assim, ao prevenir, podemos sempre minimizar”, sublinhou.
Até ao momento, o comerciante diz não ter sido contactado diretamente pelas autoridades, tendo sido alertado sobretudo por outros proprietários da zona para o risco acrescido. A configuração da rua, com desníveis acentuados, aumenta a preocupação quanto à possível subida rápida da água.
Recorde-se que, segundo a presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, o concelho prepara-se para um cenário exigente, com a barragem da Aguieira a libertar caudais elevados. A Baixa é uma das áreas identificadas como mais vulneráveis.
Enquanto se aguarda a evolução da situação, na Baixa de Coimbra multiplicam-se os esforços para proteger estabelecimentos e reduzir potenciais prejuízos, num ambiente marcado pela incerteza e pela esperança de que os danos não venham a confirmar os piores receios.