A situação de cheias no concelho de Coimbra está a provocar momentos de enorme preocupação entre agricultores locais.
Na propriedade de Amândio Inácio, situada na zona da Cidreira, a água já transformou terrenos e acessos num verdadeiro curso de rio improvisado, dificultando qualquer deslocação e colocando explorações agrícolas em alerta máximo.
No local, a corrente forte obriga a cuidados redobrados. Para garantir alguma segurança, foi improvisado um sistema com cordas. “Estou a arranjar uma corda para prender ali, para no caso de querer ir lá dentro agarrar-me à corda, para ter mais segurança. Isto está muito perigoso. A corrente está muito forte”, explicou enquanto tentava atravessar a zona inundada.
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Perante a subida rápida das águas, Amândio Inácio retirou o seu rebanho de ovelhas para outra zona.
“Assim que isto começou a encher tive de os retirar. Já tirei de sábado para domingo da semana passada”, contou.
Apesar disso, nem todos os animais conseguiram ser deslocados. As galinhas permanecem na propriedade, mas com medidas de emergência.
“Têm poleiros mais altos, têm comida e água. Pelo menos sede e fome não vão passar”, garantiu o agricultor.
Ainda mais dramática é a situação relatada por Manuel Fernandes, outro agricultor afetado, que mantém porcos numa zona completamente alagada.
“Os porcos estão em cima de paletes, mas está tudo inundado. Não são condições para ter animais assim, mas não temos alternativa”, lamentou.
Realçando que tem de atravessar água regularmente para alimentar os animais.
“Vou lá sempre. Hoje fui de manhã cedo dar de comer e agora vou outra vez”, disse.
Segundo os agricultores, o problema agravou-se devido ao rebentamento do dique dos Casais no Rio Mondego e à falta de escoamento das águas.
“O dique rebentou e agora as águas não descem porque aquilo está cheio. Primeiro que isto escoe vai demorar dias”, alertou Amândio.
Já Manuel Fernandes aponta também intervenções humanas como possível causa. “A saída da água foi bloqueada por uma obra. As águas não correm para lado nenhum. Já apresentámos queixa à APA, à Direção-Geral da Agricultura e à Câmara Municipal”, afirmou.
“Daqui a um mês vamos começar a pagar uma fatura muito grande. Os legumes apodrecem todos. Couves, nabos, tudo. Vai ser muito complicado”, avisou Amândio Inácio.
Mesmo sem chuva, a libertação de água das barragens pode fazer subir novamente o nível da água.
“Isto hoje, amanhã e depois vai subir outra vez, não há dúvidas”, garantiu o agricultor.