São João do Campo acordou novamente sob o peso das águas. Na casa de Maria da Conceição, o cenário é desolador: o quintal transformou-se num autêntico lago, resultado das chuvas intensas e do rebentamento do dique que tem vindo a afetar várias zonas do concelho de Coimbra.
Apesar da dimensão da inundação, a moradora garante que passou a noite com tranquilidade.
“Ligaram-me, mas eu estava tranquila. Durmo no primeiro andar e não tive medo”, afirmou Maria da Conceição.
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A residente mostra-se confiante de que a situação não irá piorar.
“Ela já não vai subir mais. Só se fosse uma coisa fora do normal… e este ano tem sido muita coisa fora do normal”, acrescentou.
O impacto sente-se sobretudo no exterior da propriedade. Um terreno que anteriormente servia para criação de gado está agora completamente submerso. Os bovinos, que pertencem à filha da moradora, já tinham sido retirados há mais de um mês, precisamente por causa do risco crescente.
“Aqui, chovendo, a água vem logo. Faz estrago é para o gado, que depois não pode lá andar”, explicou.
No terreno está também uma equipa técnica da Obra de Promoção Social do Distrito de Coimbra, que está a avaliar necessidades e a prestar apoio às famílias afetadas. A coordenadora Paula Batista confirmou o trabalho no terreno.
“Estamos a conversar com as famílias das freguesias onde intervimos e a perceber situações onde possamos agir de imediato.”
Segundo a responsável, já existiu articulação com a junta de freguesia e com o centro social para identificar casas em risco. Para já, a situação está relativamente controlada, existindo poucas habitações em perigo direto.
Ainda assim, algumas famílias optaram por abandonar as suas casas preventivamente.
Apesar do cenário dramático, a moradora mantém uma postura solidária, revelando maior preocupação pelos vizinhos do que por si própria.
“Fiquei preocupada com os outros. Comigo não.”
As previsões apontam para possibilidade de mais chuva, mas Maria da Conceição garante que não pensa sair. Vive sozinha e diz não sentir receio.