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Oriana pode agravar crise no Mondego. Veja quais são as horas mais preocupantes em Coimbra

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 2 horas atrás em 12-02-2026

Imagem: depositphotos.com

A tempestade Oriana, nomeada pela Agência Estatal de Meteorologia espanhola (AEMET), deverá afetar sobretudo Espanha, mas terá também impactos indiretos em Portugal, com previsão de chuva intensa, vento forte e agitação marítima nos próximos dias.

Trata-se da 15.ª tempestade nomeada deste outono/inverno e, para já, poderá ser a última de uma série iniciada no final de dezembro.

Embora o centro da depressão não atinja diretamente o território português, uma frente associada deverá atravessar o país entre o final da tarde desta quinta-feira, dia 12, e a madrugada de sexta-feira, 13 de fevereiro, trazendo precipitação por vezes intensa e vento mais forte. Após a passagem da frente, espera-se um período pós-frontal marcado por aguaceiros, trovoadas e queda de neve nas zonas montanhosas, com cotas que poderão descer abaixo dos 1000 metros, indica a Luso Meteo.

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Segundo as previsões, as rajadas poderão ultrapassar os 80 a 90 km/h no litoral e atingir valores entre 80 e 100 km/h nas terras altas. Apesar de não se tratar de um cenário meteorológico excecional para o inverno, o risco aumenta devido à elevada saturação dos solos e à fragilidade de algumas estruturas, o que poderá favorecer quedas de árvores e outras ocorrências.

A precipitação acumulada deverá ser significativa, agravando o perigo de cheias em várias bacias hidrográficas, com destaque para o Douro, Vouga, Mondego e Tejo.

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) já emitiu vários avisos para o distrito de Coimbra. Para a agitação marítima, vigora aviso amarelo esta quinta-feira, dia 12, entre as 12:00 e as 21:00, com ondas de oeste/noroeste entre 4 e 5 metros. Na sexta-feira, dia 13, o aviso volta a subir para amarelo durante a manhã, agravando para laranja entre as 15:00 e as 6:00 de sábado, período em que as ondas poderão atingir 5 a 6 metros de altura significativa e máximos até 11 metros. O aviso regressa a amarelo na manhã de sábado, dia 14.

Há também aviso amarelo para precipitação entre as 21:00 desta quinta-feira e as 6:00 de sexta-feira, devido à possibilidade de chuva persistente e por vezes forte. O vento estará igualmente sob aviso amarelo entre as 3:00 de sexta-feira e as 3:00 de sábado, com rajadas até 80 km/h, podendo chegar aos 100 km/h nas terras altas.

O agravamento do estado do tempo surge numa altura particularmente sensível para a região Centro. A situação no rio Mondego é considerada crítica, depois de dias de precipitação extrema terem levado ao rebentamento de um dos diques e provocado danos numa zona da autoestrada A1.

A barragem da Aguieira, a principal infraestrutura de regulação do caudal do Mondego, encontrava-se praticamente cheia — cerca de 98% na madrugada desta quinta-feira — sendo obrigada a realizar descargas significativas. Ainda assim, o caudal de entrada rondava os 1300 m³/s, enquanto a saída era de cerca de 900 m³/s, um equilíbrio difícil de gerir.

No Açude-Ponte do Mondego, os valores atingiam aproximadamente 2000 m³/s, acima do limite de segurança. Com previsão de mais 40 a 70 milímetros de chuva para esta sexta-feira nesta bacia hidrográfica e sem grande capacidade de encaixe na barragem, as autoridades enfrentam um cenário delicado que exigirá uma gestão muito cuidadosa das descargas para evitar maior pressão nos cursos de água.