Primeira Página

Entre sacos de areia e móveis levantados luta-se para salvar a casa em Coimbra

Notícias de Coimbra | 3 horas atrás em 12-02-2026

A noite foi longa e de angústia para os moradores do Beco dos Laranjais, em São João do Campo, no concelho de Coimbra.

Depois do mau tempo e do rebentamento do dique no rio Mondego, na margem direita, a subida das águas obrigou à evacuação de várias habitações, deixando famílias em alerta máximo.

No local, o cenário é de preocupação constante. Sacos de areia à porta, móveis levantados, eletrodomésticos em cima de mesas e casas viradas do avesso mostram a preparação permanente para a chegada da água.

PUBLICIDADE

Entre os moradores afetados está Vitória Dinis, que vive há dias num estado de alerta permanente. A preocupação de abandonar a casa e deixar tudo para trás marcou profundamente os últimos dias.

“Ligaram-me eram sete e meia, mas só saímos por volta das nove. Eu fui a última a sair”, contou.

A ordem de evacuação apanhou os moradores já exaustos, depois de uma noite em claro a vigiar a subida das águas. O medo maior era ver a água entrar pela casa e destruir anos de trabalho e memórias.

“Foi um bocadinho duro”, admitiu Vitória, ao recordar o momento em que soube do rebentamento do dique no Mondego. “Achei que desta vez afogava-se tudo.”

A moradora vive há cerca de duas semanas em permanente prevenção. Desde então, mantém praticamente toda a casa elevada para evitar prejuízos caso a água volte a subir.

“Tenho tudo levantado há 15 dias. Tudo fora do sítio.”

Dentro da habitação, a realidade confirma o receio: colchões retirados, roupa guardada em arcas colocadas em cima de cadeiras, eletrodomésticos elevados e botijas fora do chão. Um cenário que mostra como é viver diariamente com o risco de inundação.

“Vai-se vivendo… um dia de cada vez”, desabafou.

A preocupação não é apenas com a casa. Vitória tem também receio pelos animais, que mantém numa zona mais alta, junto ao campo de futebol, onde acredita que a água não chegará.

“Deus me livre que a água chegue lá.”