Saúde
Dia Internacional do Preservativo: “Basta usar” e basta vontade política para garantir prevenção do VIH
Em 2026, num momento em que o financiamento global para a saúde encolhe, fica claro que basta vontade política para garantir o acesso ao preservativo como ferramenta de saúde pública, seja em Portugal ou no Mundo. Não está em causa apenas uma escolha individual: esta também uma decisão política. Cortar na prevenção não poupa dinheiro, – adia a fatura aos sistemas de saúde, coloca em causa a eliminação do VIH e custa vidas.
Neste contexto, e com o crescimento das notificações de Infeções Sexualmente Transmissíveis (IST), de acordo com os dados do ECDC, o preservativo continua a ser uma das ferramentas mais custo-eficazes para prevenir infeções. O preservativo deve estar no centro de uma estratégia de prevenção combinada, a par do teste, do tratamento, da vacinação e do acesso à Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) e à Profilaxia Pós-Exposição (PPE) . Se não houver uma mudança de rumo, o VIH poderá ser o próximo a ganhar terreno.
Em Portugal, as 997 pessoas diagnosticadas com VIH em 2024, ano dos últimos dados disponíveis pela Direção-Geral da Saúde, reforçam a necessidade de políticas públicas consistentes e sustentadas para travar novas infeções e reduzir desigualdades no acesso à prevenção.
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No dia 13 de fevereiro, as equipas do serviço de proximidade GAT Move-se (unidades móveis) vão distribuir 6.000 preservativos e informação sobre saúde sexual em três locais da Área Metropolitana de Lisboa, com o apoio do Fast-Track Cities Almada (Câmara Municipal de Almada) e do Fast-Track Cities Seixal (Câmara Municipal do Seixal / Seixal Saudável).
O GAT defende que Portugal precisa de um Plano de Prevenção do VIH e das IST com recursos alocados, capaz de responder de forma contínua, baseada em evidência e centrada nas comunidades.
O GAT sublinha ainda a necessidade de melhorar a recolha e divulgação de dados nacionais sobre o uso de preservativo, fundamentais para desenhar estratégias eficazes e adaptar intervenções às populações que mais necessitam destas ferramentas.
“O preservativo é básico, funciona e continua a ser uma das ferramentas mais custo-eficazes para prevenir VIH e IST. Mas não basta dizer ‘basta usar’ – é preciso que exista vontade política para garantir acesso, planeamento e recursos. Portugal precisa de um Plano de Prevenção do VIH e das IST, com financiamento e com dados nacionais sobre uso de preservativo que nos permitam ajustar respostas a quem mais precisa.” – Ricardo Fernandes, Diretor-Geral Adjunto do GAT
“O Dia Internacional do Preservativo é um lembrete de que a prevenção não pode ser descartável. Quando o financiamento falha, as consequências não desaparecem – acumulam-se em infeções evitáveis e em vidas impactadas. Preservativos são uma solução comprovada, prática e acessível, e devem estar no centro das estratégias de prevenção.” – Daniel Reijer, AHF Europe Bureau Chief.