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Montemor-o-Velho avalia armazenamento na Aguieira como de “risco constante”

Notícias de Coimbra com Lusa | 4 horas atrás em 12-02-2026

 O presidente da Câmara de Montemor-o-Velho considerou hoje que a barragem da Aguieira, que sustenta as águas do Mondego, está numa situação de risco constante, por estar a 99% da sua capacidade de armazenamento.

“É uma situação de risco constante. Com este volume de água, a barragem vai ter de descarregar”, disse José Veríssimo à agência Lusa, na sequência das inundações e cheias que atingem este concelho do distrito de Coimbra, sobretudo após o colapso das margens do Mondego, na quarta-feira.

José Veríssimo disse que a água nos campos do Baixo Mondego continua a subir, embora de forma lenta.

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“No canal principal do rio Mondego há algum alívio de pressão, depois do dique ter rebentado na quarta-feira”.

A bacia do Mondego era, às 08:00, a única do continente em situação de risco, com o volume de armazenamento da barragem da Aguieira acima dos 99%, perto do limite de segurança daquela infraestrutura.

Segundo dados do portal InfoÁgua, o volume de armazenamento da Aguieira veio a subir consistentemente desde a manhã de quarta-feira, altura em que estava nos 72%, atingindo o seu valor máximo desde o início das inundações no Baixo Mondego, pelas 08:00 de hoje, com 99,04%, a uma cota de 124,5 metros.

O nível de máxima cheia da Aguieira é de 126 metros, altura a partir da qual aquela albufeira não consegue receber mais água e tem de a libertar, por poder pôr em causa a segurança da própria barragem.

À mesma hora, o caudal que saía da barragem (efluente) estava nos 930 metros cúbicos por segundo (m3/s), ligeiramente inferior aos 958 m3/s registados durante a madrugada. O caudal afluente, por sua vez, era ligeiramente superior, com 1.054 m3/s – a Aguieira estava a receber mais água do que aquela que largava – embora o volume de afluência venha a diminuir desde as 21:00 de quarta-feira, quando ultrapassou os 1.750 m3/s.

Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A décima sexta vítima é um homem de 72 anos que caiu no dia 28 de janeiro quando ia reparar o telhado da casa de uma familiar, no concelho de Pombal, e que morreu a 10 de fevereiro, nos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC).

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo prolongou a situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.