Saúde

Há 90 anos, já se usava máscaras Covid-19

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 3 horas atrás em 12-02-2026

Um novo estudo histórico revela que já na China dos anos 30—há quase um século—os barbeiros se revoltaram contra regras sanitárias obrigatórias que exigiam o uso de máscaras faciais, muito antes da pandemia de COVID‑19.

Em 1936, na cidade portuária de Jiujiang, as autoridades exigiram que todos os barbeiros usassem máscara para reduzir a propagação de tuberculose e outras doenças transmitidas pelo ar.

Os profissionais protestaram, argumentando que as máscaras eram injustas, desconfortáveis e humilhantes, especialmente no calor sufocante, comparando‑as a sentirem‑se “amordaçados como animais”. Organizados pelo sindicato, fizeram greve e ganharam destaque nos jornais chineses e internacionais da época.

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O estudo académico publicado na revista Social History of Medicine mostra que essas greves não se limitaram a Jiujiang — havia resistência semelhante noutras cidades, e em algumas delas os barbeiros só punham a máscara quando havia inspetores à vista.

No fim, acabou‑se por chegar a um compromisso: os barbeiros concordaram em usar a máscara durante o barbear mais próximo do cliente, onde o risco de transmissão era maior.

Os investigadores, liderados por Meng Zhang da Universidade de Manchester, destacam que esta resistência não era contra a ciência, mas contra medidas que consideravam discriminatórias e impositivas.

Os paralelos com os debates sobre máscaras na pandemia de COVID‑19 são evidentes: em ambos os casos, o uso de máscaras foi debatido não apenas como medida de saúde pública, mas também como símbolo de política, identidade e autoridade social.

Segundo Zhang, analisar estas histórias esquecidas pode ajudar os governos a conceber políticas de saúde pública mais justas, que envolvam em vez de alienar as comunidades afetadas.