Coimbra avançou hoje com nova zona de evacuação entre São João do Campo e São Martinho de Árvore, afirmou a presidente do município, que admitiu que continua a haver a possibilidade de outras ruturas no rio além da ocorrida.
A nova zona de evacuação abrange pontos de São Martinho de Árvore, Quimbres (São Silvestre) e São João do Campo, com a Escola de São Silvestre já preparada para receber população que possa ter de ser retirada da região noroeste do concelho, próxima da fronteira com Montemor-o-Velho, disse a presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, em conferência de imprensa, que contou também com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, do primeiro-ministro, Luís Montenegro, e da ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho.
A nova zona surge após ter rebentado hoje um dique na margem direita do Mondego e depois de o município ter avançado ainda na terça-feira com a retirada preventiva de pessoas de Ribeira de Frades, Taveiro, Ameal, Arzila e São Martinho do Bispo, zonas mais densamente povoadas, de cota baixa e situadas na margem esquerda do rio (além de Conraria e Cabouco, a montante da ponte-açude).
PUBLICIDADE
Apesar desse rebentamento, a evacuação não resulta desse acontecimento, mas “sobretudo por o rio velho [do Mondego] já estar também a inundar nessas zonas”, esclareceu a autarca.
Ana Abrunhosa admitiu que continua a haver “a possibilidade de outras ruturas” nas margens do Mondego, sobretudo face às condições climatéricas adversas que poderão sentir-se de quinta-feira para sexta-feira.
“Vamos manter esta situação de prevenção, nós vamos manter estas zonas evacuadas e, portanto, vamos manter as pessoas daqueles três lares no [pavilhão] Mário Mexia, com todo o conforto, com toda a tranquilidade e vamos manter as outras zonas de concentração e apoio à população”, afirmou.
Além da nova zona de concentração, estão também definidas a Escola de Taveiro, a Escola Inês de Castro e a Casa do Povo de Ceira.
Segundo Ana Abrunhosa, será feita nova conferência de imprensa no sábado e, até lá, serão mantidas “todas as medidas de proteção e de salvaguarda de pessoas e bens”, que se iniciaram na terça-feira, ao final da tarde.
“Pedimos-vos paciência. Nós sabemos que não é fácil, já passaram várias semanas, mas temos esperança que no sábado vos possamos dar boas notícias. Mas, não podemos facilitar. Nós não sabemos se o dique vai rebentar noutros sítios”, salientou.
Para a autarca, o rebentamento do dique que ocorreu hoje era uma possibilidade prevista desde terça-feira pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), tendo sido feito um trabalho preventivo.
A presidente da Câmara de Coimbra realçou ainda que não sentiu falta da presença do Governo ou de meios, salientando que o Exército e a Marinha (por via dos fuzileiros) procuraram o município e chegaram ao concelho, de forma proativa – sem pedido da autarquia.
“Eles estão no terreno juntamente com os bombeiros, juntamente com a PSP, com a GNR e com os nossos presidentes de junta, naturalmente. E, portanto, Coimbra só tem uma palavra a dizer: muito obrigada a todos e continuaremos a estar presentes”, disse Ana Abrunhosa, que deixou ainda um agradecimento à APA e ministra do Ambiente pelo trabalho feito na gestão da bacia do Mondego ao longo destes dias críticos.
Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A décima sexta vítima é um homem de 72 anos que caiu no dia 28 de janeiro quando ia reparar o telhado da casa de uma familiar, no concelho de Pombal, e que morreu a 10 de fevereiro, nos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC).
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.