O comandante nacional da Proteção Civil alertou hoje que, apesar de se prever um “pequeno desagravamento” das condições meteorológicas, nomeadamente da precipitação, a situação hidrológica irá manter-se crítica, com risco de cheias e derrocadas.
“Iremos ter elevadas escorrências e elevadas afluências a todos os cursos de água nas zonas que têm sofrido o principal impacto por esta precipitação e, portanto, todos os rios que estão neste momento em condição de inundações irão manter essa condição, afirmou Mário Silvestre.
O comandante, que falava numa conferência de imprensa para fazer um ponto de situação das cheias no país realizada na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) em Carnaxide, Oeiras (Lisboa), referiu que está previsto “um pequeno desagravamento nas condições meteorológicas”, nomeadamente da precipitação, mas que se prevê um novo agravamento na sexta-feira.
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“Aquilo que vamos continuar a apelar é que todo o cuidado é pouco relativamente à questão hidrológica, ou seja, relativamente às cheias e, sobretudo, e também relativamente às derrocadas que um pouco por todo o país estão a afetar vias rodoviárias, casas, infraestruturas e um pouco por todo o país”, insistiu.
No entanto, Mário Silvestre admitiu que esta melhoria temporária poderá, ainda assim, permitir “fazer uma gestão das albufeiras, ou seja, das barragens, garantindo que minimizar eventuais impactos”.
Em jeito de balanço, o comandante da ANEPC referiu que a Proteção Civil mantém sob vigilância vários rios com risco significativo de inundação, entre os quais o Mondego, Tejo, Sorraia, Vouga, Águeda e Sado, bem como Minho, Cávado, Lima, Douro, Tâmega, Sousa, Nabão e Guadiana.
No plano operacional, estão ativados 12 planos distritais e 125 planos municipais de emergência, além de 15 declarações de situação de alerta emitidas por municípios.
O plano especial da bacia do Tejo encontra-se no nível vermelho.
No que diz respeito às ocorrências, o comandante nacional referiu que foram registadas desde o dia 01 de fevereiro 15.640 ocorrências, que mobilizaram 53.737 operacionais e 21.767 meios.
As quedas de árvores continuam a ser a tipologia mais frequente, com 4.655 situações, seguidas de 4.420 inundações e 2.366 movimentos de massa.
A este propósito, Mário Silvestre chamou a atenção para as situações de derrocada, cujas ocorrências têm aumentado nos últimos dias.
“Estamos a falar de impactos extremamente significativos, mais uma vez, relativamente a esta questão das derrocadas e, portanto, voltamos a apelar ao maior cuidado possível e à avaliação constante das zonas sujeitas a este tipo de evento”, sublinhou.
Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A décima sexta vítima é um homem de 72 anos que caiu no dia 28 de janeiro quando ia reparar o telhado da casa de uma familiar, no concelho de Pombal, e que morreu a 10 de fevereiro, nos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC).
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.