A retirada preventiva de dezenas de pessoas na União de Freguesias de São Martinho do Bispo e Ribeira de Frades, no concelho de Coimbra, decorreu com tranquilidade durante a madrugada, garantiu a presidente da Junta, Laura Fonseca.
Segundo a autarca, “foi tudo tranquilo, as pessoas acataram bem a saída”. Em São Martinho do Bispo, quase todos os moradores abandonaram as habitações quando alertados pelas autoridades. Já em Ribeira de Frades, onde a ocorrência foi coordenada pela GNR de Taveiro, algumas pessoas optaram por permanecer nas casas, sobretudo quem tinha primeiro andar. Ainda assim, Laura Fonseca alertou para os riscos: “podem ficar isolados”, sublinhando que a PSP avisou a população dessa possibilidade para incentivar a evacuação.
Muitos residentes foram surpreendidos durante a noite. “A maior parte delas já foram apanhadas a dormir. Muitas estavam de pijama quando vieram à porta. Vestiram-se à pressa”, relatou, acrescentando que o processo decorreu de forma serena e “não houve stress nenhum”. Mesmo aqueles que se previa oferecerem resistência “cederam todas e saíram”.
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A maioria das famílias deslocou-se para casa de familiares ou amigos, embora várias tenham recorrido aos espaços de acolhimento. Na Escola Inês de Castro estão mais de 40 pessoas, acompanhadas por alguns animais, para os quais foram preparadas zonas específicas. Já na Escola de Taveiro encontram-se 22 desalojados.
Durante a operação, foi recomendado aos moradores que desligassem serviços como luz e água e que deixassem os bens em locais elevados, de forma a minimizar possíveis danos. “Pela ideia que a gente tinha e o que as pessoas nos foram transmitindo, sim, ficaram as coisas acauteladas”, afirmou.
No terreno permanecem vários meios de emergência. Elementos do Exército pernoitaram na freguesia com dois barcos, preparados para eventuais evacuações. Há ainda militares, quatro bombeiros com duas viaturas que patrulharam toda a noite, e a PSP, que apoiou as operações até cerca das 5:00.
A madrugada ficou também marcada pela evacuação de três lares — o Lar de São Filipe, o Centro Social de São João e a Casa do Juiz. Parte dos utentes foi acolhida por familiares, mas a maioria foi encaminhada para o Pavilhão Mário Mexia, onde se encontram perto de uma centena de séniores.
Neste momento, a zona de concentração de Cernache não tem qualquer pessoa alojada. As autoridades mantêm-se em vigilância permanente e o principal objetivo é evitar regressos prematuros às habitações. “O conselho que deixo é que as pessoas não voltem até ordens em contrário, que se mantenham seguras”, reforçou Laura Fonseca.
O dia será agora de monitorização contínua da situação, com as equipas no terreno a acompanhar a evolução do cenário e preparadas para agir caso seja necessário.