Coimbra
“Estamos a trabalhar com base no pior cenário possível”: Coimbra prepara-se para madrugada e manhã complicadas
O agravamento das condições meteorológicas levou a Câmara Municipal de Coimbra a avançar, durante a madrugada, com a evacuação preventiva de três lares da freguesia de São Martinho do Bispo, devido ao risco de cheias associado à subida do caudal do rio Mondego.
Cerca de 120 utentes, muitos deles acamados, foram transportados para o Pavilhão Multidesportivo Mário Mexia, onde vão pernoitar por tempo ainda indeterminado, estando o espaço preparado para acolher até cerca de 150 pessoas, com condições de conforto, higiene e alimentação asseguradas.
Em declarações ao NDC, o vereador da Proteção Civil da Câmara Municipal de Coimbra, Ricardo Lino, explicou que a decisão foi tomada com base nos dados disponibilizados pela Agência Portuguesa do Ambiente e pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera.
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“Face aos indicadores que temos da parte da APA e do IPMA, entendemos, por precaução, fazer a evacuação preventiva de três lares da freguesia de São Martinho do Bispo”, afirmou, sublinhando que se trata de uma medida de prevenção reforçada perante a persistência da chuva nas últimas semanas e a previsão de nova depressão atmosférica.
Segundo o autarca, os diques do Mondego encontram-se sob forte pressão, com caudais próximos dos limites de segurança.
“Os diques estão dimensionados para aguentar até 2000 metros cúbicos por segundo. Ainda não atingimos esse valor, mas estamos muito perto, com caudais entre os 1800 e os 1900 metros cúbicos por segundo. São semanas de grande saturação e a pressão é elevada”, referiu, justificando a necessidade de atuar com base no pior cenário possível.
Além da evacuação dos lares, foi também emitido um alerta à população residente nas zonas ribeirinhas abrangendo cerca de três mil pessoas. Estão disponíveis locais de acolhimento em Taveiro, na Escola Inês de Castro e no Centro Social de Ceira, embora algumas pessoas tenham optado por permanecer nas suas habitações ou deslocar-se para casa de familiares.
“Há sempre quem prefira ficar em casa, mas estamos a trabalhar para garantir a segurança de todos”, acrescentou Ricardo Lino.
De acordo com as previsões do IPMA, o pico da nova depressão é esperado durante a manhã, com precipitação intensa ao longo de pelo menos 12 horas, não só em Coimbra, mas em toda a bacia hidrográfica do Mondego, o que poderá agravar a situação.
O vereador da Proteção Civil deixou ainda um apelo à população para que se mantenha atenta e cumpra as indicações das autoridades.
“Ao mínimo sinal de perigo, devem sair das zonas ribeirinhas. A Proteção Civil, os bombeiros, a GNR, a PSP e os presidentes de junta estão no terreno a fazer esse trabalho de sensibilização e apoio às populações”, concluiu.