Região

PERIGO: “É impressionante”. Mondego pode colapsar

Notícias de Coimbra | 6 minutos atrás em 10-02-2026

O rio Mondego está com “um risco claro dos diques [margens]” poderem colapsar e provocar inundações face às previsões de forte precipitação, afirmou hoje o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

“Há aqui um risco claro dos diques poderem colapsar. Em nome da precaução, o que é fundamental é retirar pessoas que estão nas áreas de risco”, disse Pimenta Machado, que falava numa conferência de imprensa realizada em Coimbra, no final de uma reunião de emergência com autarcas da região e proteção civil local e regional.

Segundo o presidente da APA, está prevista “uma brutalidade” de precipitação na quarta-feira, registando-se “dois dias em que chove 20% do que chove num ano”, referindo que a situação será monitorizada e acompanhada durante toda a noite.

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“No fundo, perceber se temos condições de que aqui no açude de Coimbra nunca seja ultrapassado o valor dos dois mil metros cúbicos por segundo [m3/s], que é o valor para o qual os diques foram dimensionados”.

Pimenta Machado salientou que, neste momento, “muita água foi ao rio Ceira, à Ribeira de Mortágua, ao Mondego, ao rio Dão”.

“É impressionante”, notou, considerando que se está perante uma situação “verdadeiramente excecional”, com níveis de precipitação elevados depois de “três semanas de tempestades sucessivas que pressionam as infraestruturas”.

Para o presidente da APA, a situação “é muito complexa e difícil”, sendo essencial atuar de forma preventiva e retirar as populações das áreas de risco de cheia.

De acordo com Pimenta Machado, ainda há algum “encaixe” na barragem da Aguieira, a montante da ponte-açude de Coimbra, salientando que houve um trabalho de preparação anterior.

Às 20:00, o açude-ponte registava 1.802 m3/s.

O comandante Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil da Região de Coimbra, Carlos Luís Tavares, recordou que têm estado a ser atingidos “valores limite da obra [hidrográfica do Mondego” e, face à experiência das cheias de 2001 e de 2019, os municípios entenderam preparar ou iniciar retiradas de pessoas de zonas de risco.

De acordo com o responsável da proteção civil regional, os meios estão posicionados e prontos há mais de dez dias, referindo que se pretende fazer as evacuações com tranquilidade e de forma preventiva.

“Vamos dar as melhores condições às pessoas, de forma a que nós próprios possamos estar tranquilos e que não tenhamos ninguém em risco”, vincou.

A bacia do Mondego voltou hoje a estar em situação de alerta de cheias – o menos gravoso de dois níveis, sendo o mais grave a situação de risco – embora com quatro episódios a montante de Coimbra a merecerem atenção.

A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) tem vindo a fazer uma gestão de cheia controlada, aplaudida em geral, no Baixo Mondego, por agricultores e autarcas, no sentido de evitar que as margens do Mondego quebrem, o que sucedeu em 2001 com resultados catastróficos e, mais recentemente, em 2019, com uma cheia limitada à margem direita.

No entanto, continua a existir o risco de os diques direito ou esquerdo do canal principal do rio poderem rebentar, face à pressão que a água exerce naquelas infraestruturas e o tempo decorrido desde o início desta crise – cerca de 10 dias – com caudais médios da ordem dos 1.500 m3/s.