A Proteção Civil registou desde o início do mês 14.084 ocorrências, em consequência das tempestades que assolaram o país, e a atenção foca-se agora principalmente no Rio Mondego, devido ao risco de inundações.
Segundo o comandante nacional de Emergência e Proteção Civil, Mário Silvestre, desde 01 de fevereiro e até às 18:00 de hoje foram registadas “14.084 ocorrências”, empenhados 48.406 operacionais e 19.478 meios, sendo que “as ocorrências mais significativas” foram “a queda de árvores, o movimento de massa e as inundações”.
“Mais uma vez, reforçamos a necessidade, sobretudo relativamente aos movimentos de massa, do cuidado e da análise que todos temos que fazer no nosso dia-a-dia, nos sítios que estão mais sujeitos à forte precipitação que se tem vindo a sentir”, acrescentou Mário Silvestre.
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O comandante, que falava na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), em Carnaxide, concelho de Oeiras, distrito de Lisboa, salientou que “o risco mais significativo de inundações” está agora “no rio Mondego”, na região Centro, com as cotas e as afluências bastante elevadas e, portanto, com “um potencial muitíssimo significativo de poder causar inundações”.
“Portanto, para as populações que vivem nas imediações do rio e que sabem já, por histórico, que poderá haver inundações, um potencial galgamento das margens e, com isto, influência direta nas suas habitações e nos seus bens, que tomem todas as medidas preventivas para que possam abandonar as suas casas, se assim houver essa necessidade”, afirmou.
O rio Tejo, de acordo com Mário Silvestre, está “numa situação mais estável”, mas “não deixa de ser um risco” e “de ser preocupante”, assim como os rios Sorraia, em Benavente e Coruche, e o Vouga, que na confluência do rio Águeda poderá provocar inundações nesta cidade do distrito de Aveiro, e o Sado.
Com risco de inundação estão também os rios Minho, Coura, Lima, Cávado, Douro e Tâmega, sobretudo na zona de Amarante, bem como no Sousa, Lis, Nabão e Guadiana.
Em termos de planos de proteção civil, o comandante nacional referiu que se mantêm “11 planos distritais ativados”, 125 municipais, 15 declarações de situação de alerta e “continua o Plano Especial do Risco de Cheia para a bacia do Tejo, ativado no seu nível mais elevado, o nível vermelho”.
Quanto a derrocadas, o responsável operacional da ANEPC disse que têm havido várias ao longo do país, mas “a zona do Alto Tâmega teve mais uma situação de deslocação de massas”, sem registo de feridos, apesar deste tipo de ocorrência poder colocar “em causa a população”.
“Há estradas a ficar cortadas constantemente e, portanto, muito cuidado no trânsito, muito cuidado às populações que moram nas imediações de zonas potencialmente afetadas por este fenómeno”, frisou, acrescentando que várias derrocadas em Ponte da Barca afetaram habitações e um veículo e provocaram cerca de uma dezena de desalojados.
Em termos de abastecimento de eletricidade, Mário Silvestre indicou que a E-Redes tem “41 mil clientes ainda sem energia”, em todo o país, e que a situação atual na zona do impacto da depressão Kristin afeta 35 mil clientes, 26 mil em Leiria, seis mil em Santarém, dois mil em Castelo Branco e mil em Coimbra.
Questionado sobre o motivo da demora na ativação das Forças Armadas, o comandante nacional respondeu que “a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil afeta os meios disponibilizados pelos agentes de proteção civil, de acordo com as necessidades identificadas nos diversos teatros de operações”.
Em relação à conferência de imprensa dos vários ramos das Forças Armadas, que referiram a sua disponibilidade quando para isso foram solicitados, Mário Silvestre disse não ter assistido e não “comentar conferências de imprensa de outros agentes de proteção civil”.
“O enfoque da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil é na proteção das pessoas e em responder da melhor forma possível àquilo que está a acontecer no terreno”, afirmou, salientando que o objetivo é passar “por mais um episódio de extrema severidade meteorológica sem danos de maior” para a população.
E, por isso, neste momento está “um conjunto de forças preposicionadas na zona do Mondego, por exemplo, desde a Guarda Nacional Republicana até às Forças Armadas”, nas “zonas de maior impacto”.
Sobre os efeitos da depressão Nils, admitiu que resultam principalmente da chuva, até quinta-feira, pois “o vento nem se prevê que seja muito forte, mas o acumulado desta precipitação começa a ser” um “grande problema em termos, inclusivamente, de gestão das albufeiras, trabalho que a Agência Portuguesa do Ambiente tem feito de uma forma extremamente positiva”.
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.