O nível da água nos campos agrícolas junto à Ereira, Montemor-o-Velho, que tem isolado aquela freguesia, baixou 5 a 6 centímetros durante a noite e manhã de hoje, mas deverá voltar a subir, disse fonte autárquica.
A revelação foi feita à agência Lusa pelo presidente da Junta da Ereira, Nelson Carvalho: “A água desceu um bocadinho, cinco, seis centímetros. É natural que ao final do dia possa estar igual ao que estava ontem [domingo] à noite, isto quer dizer que tivemos um dia sem subir, o que já é muito bom”, evidenciou.
A subida e descida do nível de água junto à Ereira decorre do caudal do rio Mondego – que ao longo do dia de hoje foi reduzido na Ponte-Açude de Coimbra, para os 1.270 metros cúbicos por segundo (m3/s), depois de ter passado o fim de semana em níveis em redor de 1.600 m3/s – que, por sua vez, afeta diretamente a água que escoa para os campos do vale central.
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O Mondego descarrega um máximo de 800 m3/s para os campos agrícolas da margem direita, e esta água flui para jusante, parte da qual chegando à Ereira e zonas adjacentes a Montemor-o-Velho pelo chamado leito abandonado (9 m3/s) e vala da Ereira (3 m3/s).
O problema é que esta água corre em direção ao sistema de bombagem e comportas do Foja, o único ponto por onde poderá sair dos campos, – que também recebe água da ribeira de Foja – sem conseguir dar vazão.
Assim, a água acaba por se acumular em redor, o que vem acontecendo há uma semana, levando ao isolamento da Ereira, ao corte de ruas no centro de Montemor-o-Velho e ao corte, nos dois sentidos, da autoestrada A14, entre a Figueira da Foz e Montemor-o-Velho, no distrito de Coimbra.
Na bombagem do Foja, técnicos da E-Redes e da papeleira Navigator – empresa privada cuja abastecimento de água do Mondego é fulcral para o funcionamento da unidade fabril de Lavos – têm tentado por a única bomba, ali instalada há 40 anos, em funcionamento, nomeadamente tentando resolver problemas elétricos.
Esta intervenção na bombagem do Foja voltou a acontecer hoje, “já depois de ter sido resolvida a parte burocrática [o que motivou, no domingo, críticas à Agência Portuguesa do Ambiente pela Câmara Municipal e um esclarecimento daquela autoridade ambiental] e de não trabalharem ao fim de semana, o que revoltou quem está no terreno 24 sobre 24 horas”, enfatizou Nelson Carvalho.
Se funcionar, aquele equipamento poderá bombear um máximo de 6 m3/s – seis mil litros por segundo, metade da água que ali aflui a cada segundo. Já as comportas da estação, que são no total cinco, mas só três funcionam, apenas podem operar na maré baixa e quando o caudal do Mondego é inferior em altura à água acumulada no interior.
Já o município de Montemor-o-Velho, em nota divulgada pelas 16:00 de hoje, explicou que “apesar de o nível das águas se manter, hoje, estável, a situação de risco no Vale do Mondego ainda não terminou, exigindo a continuidade de uma gestão atenta e articulada do rio e da barragem, conjugada com o regime de marés e a abertura de comportas”.
Apelando a que a população continue a adotar “medidas preventivas e de autoproteção”, a Câmara Municipal diz que se mantém no concelho “um cenário de cheia lenta, planeada e controlada”, numa situação que continua a definir como exigente e complexa”.
O comunicado avisa que as previsões meteorológicas para os próximos dois dias apontam para “um período de elevada pluviosidade”, não sendo possível “baixar a guarda, mantendo-se a vigilância permanente”, vincou.