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Fungo “zombie” que inspirou “The Last of Us” captado pela primeira vez

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 3 horas atrás em 09-02-2026

Imagem: @drechsler_santos/Instagram

Uma equipa de investigadores brasileiros e dinamarqueses registou, pela primeira vez na Floresta Amazónica, um fenómeno raro: um fungo do género Cordyceps a parasitar uma tarântula gigante, lembrando os fungos que inspiraram a ficção científica em obras como a série The Last of Us.

A descoberta foi feita durante uma expedição científica na Reserva Adolpho Ducke, perto de Manaus, quando investigadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), da Universidade de Copenhague (UCPH) e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazónia (Inpa) documentaram uma tarântula‑golias (Theraphosa blondi) infetada pelo fungo Cordyceps caloceroides.

Registos anteriores de Cordyceps em aracnídeos são extremamente raros, tornando este achado científico especialmente relevante para a compreensão de como estes parasitas evoluíram e interagem com hospedeiros diferentes ao longo do tempo. A maioria dos fungos deste grupo é conhecida por infetar insetos, como formigas, e só ocasionalmente outros artrópodes.

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O fungo atua através de esporos que entram em contacto com o corpo do hospedeiro, possivelmente através do solo ou da vegetação. Depois de infetada, a aranha acaba por ter o seu comportamento alterado e, em fase terminal de infeção, o fungo cresce para fora do corpo do animal – criando estruturas alaranjadas que libertam esporos e completam o ciclo de vida do parasita.

O registo foi captado em vídeo e divulgado nas redes sociais pelo investigador Elisandro Ricardo Drechsler‑Santos, da UFSC — as imagens alcançaram enorme repercussão online. Apesar do aspeto impressionante, os cientistas sublinham que estes fungos não representam qualquer risco para os humanos, pois são altamente especializados em infectar artrópodes.

Para os especialistas, o achado ajuda a chamar a atenção para a enorme biodiversidade fúngica da Amazónia — um elemento frequentemente negligenciado nos estudos de conservação — e pode servir de base para futuras investigações sobre a evolução de parasitas naturais e as complexas relações ecológicas no bioma.