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Nova tempestade poderá atingir Portugal. Até onde pode chegar a fúria do Nils?

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 3 horas atrás em 09-02-2026

Imagem: depositphotos.com

A depressão Nils deverá provocar chuva forte e persistente e agravar a agitação marítima em Portugal durante os próximos dois dias, apesar de não afetar diretamente o território continental.

Segundo a Luso Meteo, o centro de baixa pressão deverá posicionar-se, ao final da quarta-feira, 11 de fevereiro, nas proximidades do Canal da Mancha, o que deverá gerar ventos superiores a 120 km/h entre o Norte de Espanha e o Oeste de França.

Mesmo sem impacto direto, as condições associadas a esta depressão são favoráveis à ocorrência de precipitação localmente excessiva, tanto na terça como na quarta-feira.

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Este cenário eleva o risco de cheias severas, com especial preocupação nas bacias hidrográficas do Douro, Vouga e Mondego, regiões onde se prevê maior intensidade de chuva, particularmente a norte do sistema montanhoso Montejunto-Estrela.

Além da precipitação, o mar deverá apresentar-se muito agitado. Na terça-feira, dia 10, são esperadas ondas entre quatro e cinco metros na Costa Ocidental, podendo aumentar ainda mais na quarta-feira, situação que deverá motivar novos avisos por parte do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). O vento, por outro lado, não deverá representar uma preocupação significativa, embora possa intensificar-se ligeiramente nas regiões mais a norte.

Nos Açores, a circulação associada à depressão deverá trazer muita humidade, aguaceiros por vezes moderados a intensos, vento forte de sudoeste e também forte agitação marítima.

Já na Madeira, o efeito será inverso. O reforço do anticiclone deverá garantir maior estabilidade atmosférica, com períodos de céu pouco nublado, vento fraco e temperaturas amenas. Ainda assim, o estado do mar deverá deteriorar-se, com ondas superiores a três metros, sobretudo nas costas norte e oeste do arquipélago.

Na terça-feira, dia 10, o continente, prevê-se céu geralmente muito nublado ou encoberto, com neblinas e nevoeiros, especialmente em zonas montanhosas. São esperados períodos de chuva moderada a forte e persistente no Norte e Centro, com possibilidade de trovoadas e acumulados que poderão ultrapassar os 80 milímetros em 24 horas nas áreas mais elevadas.

O vento deverá soprar moderado de oeste ou sudoeste, entre 15 e 30 km/h, com rajadas até 45 km/h no litoral e nas terras altas. As temperaturas mínimas deverão subir e manter-se próximas das máximas, com valores acima da média para a época.

A ondulação poderá ultrapassar os quatro a cinco metros na Costa Ocidental, enquanto no sul do Algarve não deverá ir além dos dois metros.

Para o dia 11, o céu deverá manter-se muito nublado, com abertas ocasionais no Algarve. Continuam previstos períodos de chuva por vezes intensa, novamente com maior expressão nas regiões montanhosas do Norte e Centro, onde os acumulados poderão exceder os 80 milímetros em 24 horas.

O vento soprará de sudoeste, moderado a forte no litoral norte e nas terras altas, com rajadas que podem atingir 80 a 90 km/h. Está também prevista uma ligeira descida das temperaturas mínimas na região Norte.

A agitação marítima deverá agravar-se significativamente, com ondas que poderão ultrapassar os oito metros na Costa Ocidental, sobretudo a norte do Cabo Carvoeiro.

Onze distritos do continente e as ilhas do grupo central dos Açores estão hoje sob aviso amarelo, o menos grave, por precipitação persistente e ocasionalmente forte, indica o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Os distritos hoje em aviso amarelo, em fases diferentes do dia, são todos os distritos do litoral exceto Setúbal e ainda Portalegre e Évora. Nos distritos do sul o aviso acaba esta madrugada.

Segundo as previsões atualizadas do IPMA, na terça-feira os distritos de Viana do Castelo, Braga, Vila Real, Porto, Aveiro e Viseu terão avisos laranja de precipitação forte, o segundo mais grave, com os distritos de Bragança, Guarda, Castelo Branco, Coimbra e Leiria com aviso amarelo.

Também na terça-feira o IPMA volta a assinalar avisos para agitação marítima (no Grupo Ocidental dos Açores a agitação marítima ocorre já hoje, com aviso amarelo, e na terça-feira passa a laranja durante a manhã) em Aveiro, Braga, Coimbra, Leiria, Lisboa, Porto, Viana do Castelo, com aviso amarelo em todos os casos.

Para hoje e para terça-feira o IPMA não emite avisos de qualquer espécie para o vento nem para outras ocorrências, como a queda de neve.

O vento associado à depressão Kristin, de há quase duas semanas, foi causador da grande destruição na zona centro do país.

Para hoje a previsão do IPMA é de chuva para todo o continente, variando entre a chuva fraca ou chuvisco para a zona sul e chuva com possibilidade de trovoadas para a zona norte, especialmente no litoral.

Catorze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.