Região

Montemor-o-Velho classifica de “exigente e complexa” situação no vale do Mondego

Notícias de Coimbra com Lusa | 51 minutos atrás em 06-02-2026

O município de Montemor-o-Velho classificou hoje como “exigente e complexa” a situação de cheia controlada no vale do Mondego, assegurando estar a acompanhá-la de forma permanente no terreno, vigilância reforçada e informação à população.

PUBLICIDADE

publicidade

Numa nota divulgada na tarde de hoje, a autarquia vincou que os caudais “continuam a subir no vale do Mondego”, notando, no entanto, que se mantém “um cenário de cheia lenta, planeada e controlada, resultante da gestão programada do rio e da barragem” da Aguieira.

PUBLICIDADE

Esta estratégia, adiantou, “tem de ser continuamente conjugada com o regime de marés, com o objetivo de salvaguardar pessoas e bens”.

Na nota, divulgada às 17:00, o município informa que a barragem da Aguieira “encontra-se a cerca de 85% da sua capacidade” e que o caudal do Mondego na Ponte-Açude de Coimbra ascendia a 1.450 metros cúbicos por segundo (m3/s), cerca de 100 m3/s (100 mil litros por segundo) superior ao caudal registado entre as 12:00 e as 13:00.

Já segundo os dados consultados pela Lusa divulgados no portal Info Água, da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) o caudal do Mondego na Ponte-Açude de Coimbra era, às 17:00, de 1.511,19 m3/s, ligeiramente inferior ao registado às 12:00 de quinta-feira, mas o mais alto registado hoje.

A gestão da atual situação de cheia no Baixo Mondego, realizada pela APA, tem sido alvo de diversos elogios, por parte de autoridades locais e representantes de agricultores, por estar a permitir evitar males maiores, como, por exemplo, o rompimento das margens do canal principal do rio Mondego, a exemplo do sucedido em 2001, cenário que, apesar das cautelas, ainda não está afastado.

Para além de algumas inundações de habitações, vias de comunicação cortadas e da localidade de Ereira estar isolada há cerca de 48 horas, um dos maiores problemas prende-se com a água acumulada nos campos agrícolas – por estes dias transformados num lago gigantesco com mais de 6.000 hectares, só na margem direita, cuja drenagem não tem acontecido.

A única solução para drenar a água acumulada em redor da Ereira e a jusante – na bacia da ribeira de Foja, afluente do Mondego, quer corre para sul pelas freguesias de Ferreira-a-Nova e Maiorca, já na Figueira da Foz – passa pelo sistema de bombagem e comportas do Foja, cujo funcionamento é deficiente há décadas.

Até à tarde de hoje, as autoridades ainda não tinham conseguido pôr em funcionamento a única bomba existente – de um total de seis previstas na obra hidráulica do Mondego – e, apesar de, segundo o presidente do município de Montemor-o-Velho, estarem a funcionar três das cinco comportas existentes, estas só conseguem abrir e fazer sair água quando o caudal do rio é menor do que a água acumulada dentro dos campos, o que raras vezes tem sucedido.