O presidente do município de Montemor-o-Velho apelou hoje à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) para que reforce a estratégia de cheia controlada em vigor, permitindo baixar o caudal do rio Mondego, diminuindo a acumulação de água nos campos.
Em declarações à agência Lusa pelas 14:00, José Veríssimo notou que o plano de cheia controlada que vem sendo seguido há vários dias “tem funcionado”, nomeadamente para evitar males maiores, como o rompimento das margens do canal principal do rio Mondego, a exemplo do sucedido em 2001, cenário que, apesar das cautelas das autoridades e da população, não está afastado.
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“Tenho vindo a dizer à APA que é preciso reforçar a estratégia, para ver se conseguimos baixar o nível 20 ou 30 centímetros, escoar a água que está acumulada e reabrir algumas estradas”, frisou o autarca.
A exemplo do que tem sido feito – mas agora já com três das cinco comportas da estação de bombagem do Foja, localizada a jusante (oeste) da localidade de Ereira e campos agrícolas do Vale central, a funcionar, notou – José Veríssimo argumentou que a ‘receita’ passa por conciliar as descargas da barragem da Agueira com as marés e com as condições climatéricas (nomeadamente eventuais períodos de ausência de chuva) para ser possível baixar o caudal do rio Mondego.
As comportas da estação de bombagem são a única solução para fazer escoar a água que se acumula em redor da Ereira, proveniente do vale central do Mondego e também do leito abandonado do Mondego e da ribeira de Foja (nas freguesias de Ferreira-a-Nova e Maiorca, na Figueira da Foz).
Durante a noite de quinta-feira e madrugada de hoje – coincidindo, também, com a maré cheia e com a muita chuva que caiu – o nível da água voltou a subir nos terrenos agrícolas, cobrindo, pela primeira vez, na totalidade, o asfalto da autoestrada 14 (A14), que está encerrada ao trânsito entre Montemor-o-Velho e a Figueira da Foz há três dias, desde a madrugada de terça-feira.
Na estrada do campo que faz a ligação entre a bombagem do Foja e a localidade de Lares (freguesia de Vila Verde, na Figueira da Foz), já parcialmente submersa até à ponte da A17, a água voltou a avançar, durante a noite, até junto da localidade de Barca de Sanfins, em direção à ponte de caminho de ferro sobre o rio Mondego.
Segundo o presidente da Câmara de Montemor-o-Velho, os valores de passagem de água, a montante, na ponte-açude de Coimbra, têm variado entre os 1.100 metros cúbicos por segundo (m3/s) e os 1.500 m3/s (estavam ao início da tarde de hoje nos 1.350 m3/s).
Nas últimas horas, a chuva tem dado tréguas à região do Baixo Mondego (parou de chover cerca das 10:30 e o sol apareceu) e José Veríssimo observou que, segundo as previsões, é possível que a precipitação abrande até à próxima quarta-feira, dia 11, altura em que está previsto o regresso em força da chuva à região.
“Temos aqui uma janela de oportunidade para fazer baixar os caudais e dar alguma esperança às pessoas”, sublinhou.
Na localidade de Ereira, que se mantém isolada desde o início da noite de quarta-feira, nas últimas três horas a água parou de subir, disse, por seu turno, o presidente da junta de freguesia, Nelson Carvalho.
Treze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos, que irão beneficiar de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.