O preço do cabaz alimentar monitorizado pela DECO PROteste voltou a subir e atingiu, na primeira semana de fevereiro, o valor mais elevado dos últimos quatro anos, fixando-se nos 253,09 euros.
Trata-se de um novo recorde desde que a associação de defesa do consumidor acompanha a evolução do custo de um conjunto de 63 bens alimentares essenciais.
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Face à semana anterior, o cabaz registou um aumento de 4,07 euros, o que corresponde a uma subida de 1,63%. Em comparação com a primeira semana de 2026, o acréscimo foi de 11,26 euros, mais 4,66%. No balanço dos últimos quatro anos, desde janeiro de 2022, o preço total do cabaz aumentou 65,39 euros, o equivalente a uma subida de 38,84%.
A DECO PROteste explica que o valor do cabaz é calculado com base na recolha semanal de preços, realizada às quartas-feiras, nos principais supermercados com loja online. Para cada produto é apurado um preço médio, resultante dos valores praticados pelas várias cadeias, sendo posteriormente somados os preços médios dos 63 bens alimentares que compõem o cabaz.
Entre 28 de janeiro e 4 de fevereiro, os produtos que mais aumentaram percentualmente foram os cereais de fibra, com uma subida de 16%, os cereais integrais, que encareceram 14%, e os flocos de cereais, que registaram um aumento de 10%. Já na comparação com a primeira semana do ano, a 7 de janeiro de 2026, os maiores aumentos verificaram-se na curgete, cujo preço subiu 51%, na carne de novilho para cozer, com um acréscimo de 18%, e na dourada, que encareceu 17%.
Olhando para a evolução dos preços desde o início da monitorização, em janeiro de 2022, os produtos que mais encareceram foram a carne de novilho para cozer, com um aumento de 132%, os ovos, que subiram 86%, e a polpa de tomate, com uma valorização de 71%.
Segundo a DECO PROteste, o aumento dos preços alimentares nos últimos anos está relacionado com vários fatores, entre os quais a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, que afetou o abastecimento de cereais à União Europeia, a par das consequências da pandemia de covid-19 e da seca registada em Portugal. A limitação da oferta de matérias-primas e o aumento dos custos de produção, nomeadamente da energia e dos fertilizantes, refletiram-se num aumento generalizado dos preços ao consumidor.
Em abril de 2023, o Governo avançou com a isenção de IVA para um cabaz com mais de 40 alimentos essenciais, medida que, segundo a associação, teve um impacto temporário na contenção dos preços. No entanto, esse efeito dissipou-se nos meses seguintes, com o custo do cabaz a voltar a aumentar. Em 2024, após a reposição do imposto, alguns produtos continuaram a registar subidas significativas, como o azeite virgem extra, que atingiu valores recorde em abril desse ano. Já em 2025, destacaram-se os aumentos nos preços dos ovos, do café torrado moído e do chocolate.
Apesar da subida dos preços dos alimentos, os dados do Instituto Nacional de Estatística indicam um abrandamento da taxa de inflação. Em 2025, a inflação fixou-se nos 2,3%, abaixo dos 2,4% registados em 2024. As estimativas apontam para que, em janeiro de 2026, a taxa tenha descido de 2,2% em dezembro de 2025 para 1,9%.
A DECO PROteste aconselha os consumidores a compararem os preços praticados pelas diferentes cadeias de supermercados, através do simulador disponível na plataforma Saber Poupar, que permite pesquisar por distrito, concelho e tipo de produtos habitualmente adquiridos.