A Mata do Bussaco registou prejuízos de “muitos milhares” de euros devido à depressão Kristin, mas o património edificado não teve estragos e as árvores notáveis não tiveram “danos significativos”, revelou hoje à agência Lusa o presidente da Fundação.
“Não temos esse valor fechado, mas é um prejuízo que irá envolver, com certeza, muitos milhares de euros. Não lhe vou dizer 100 mil, porque até podem ser 200 mil. Estamos à espera que empresas especializadas digam os valores para retirar – na melhor altura, porque não pode ser agora – os exemplares caídos e desobstruir a mata”, explicou Guilherme Duarte, presidente da Fundação Mata do Bussaco, na Mealhada, distrito de Aveiro.
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Contactado pela Lusa, o responsável explicou que, “no que diz respeito a árvores notáveis, não se verificam danos significativos”, havendo quedas de alguns ramos, mas deixando “mais ou menos intactos” os 21 exemplares.
Quanto a outros conjuntos de árvores de interesse público situados na área protegida localizada na Serra do Bussaco, classificada como Monumento Nacional desde 2018, há algumas com “desenraizamento”, outras com “quebra de alguns ramos”, registando-se também a “queda de algumas resinosas de maior porte”.
O património edificado não teve “qualquer estrago”.
“Tivemos estragos em algumas vias de circulação interiores, com muita pena porque, há muito pouco tempo, tinham sido arranjadas pelos protocolos com o Fundo Ambiental. Vamos ter outra vez que arranjar alguns destes caminhos”, observou.
Relativamente à cerca monumental, a queda de algumas árvores derrubou o muro em alguns locais.
“Tudo isto vai contabilizar alguns prejuízos que são ainda de elevada monta”, observou, explicando que há “exemplares de arbóreos com mais de um metro de diâmetro”, que só podem ser “tirados como maquinaria especializada”.
O acesso à mata não está fechado, até para permitir o acesso ao hotel e ao convento, mas a Fundação alertou que em alguns locais as condições de segurança não são as ideais, por agora.
“Estamos intensamente a trabalhar para abrir a mata nos próximos dias, para que possa haver fruição da mesma assim que o tempo permita”, assegurou.
O presidente da Fundação notou que algumas das árvores da mata são centenárias e, com as condições climatéricas nos últimos dias e “com os terrenos completamente ensopados”, ficam “mais vulneráveis”.
“Mas uma árvore com quase quatro séculos de existência, o cedro de São José, está lá. Não caiu”, descreveu.
O responsável saudou a “preocupação” manifestada pela secretaria de Estado das Florestas, que tutela o espaço, e garantiu ter estado sempre em articulação com a autarquia e a Proteção Civil.
“Encerramos no dia 27 [de janeiro], como medida preventiva, e a tempestade foi na noite do dia 28”, explicou.
Questionado sobre se poderão existir apoios do Governo, o presidente da Fundação disse acreditar que sim, porque “a Secretaria de Estado valoriza muito a Mata Nacional do Bussaco”.
“Acreditamos plenamente que nos vão ajudar e valorizar este território”, frisou.
Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos e o Governo decretou situação de calamidade até domingo para 69 concelhos, anunciando medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.