O número de utentes sem médico de família subiu para 1.563.710 no final de dezembro, segundo o portal da transparência do Serviço Nacional de Saúde, que mostra também um aumento no número de inscritos nos Cuidados de Saúde Primários.
Os dados mostram que o número de utentes sem médico de família atribuído cresceu de novembro (1.557.148) para dezembro, o mesmo acontecendo com o número de inscritos, que passou de 10.724.542 para 10.734.672.
PUBLICIDADE
Já o número de utentes sem médico de família atribuído por opção caiu de 11.760 para 11.743.
Quanto aos utentes com médico de família atribuído, o número também subiu de 9.155.634 em novembro para 9.159.218 no final de 2025.
Em declarações hoje na Comissão Parlamentar de Saúde, o diretor executivo do Serviço Nacional de Saúde (SNS), Álvaro Almeida, disse que mesmo que todos os especialistas em Medicina Geral e Familiar estivessem a exercer no SNS não seria possível dar médico de família a todos os utentes inscritos.
O mesmo acontece, segundo o responsável, para os especialistas em Ginecologia/Obstetrícia: mesmo que todos exercessem no SNS não seria possível manter abertas todas as urgências desta especialidade.
Segundo disse, para manter abertas todas as urgências desta especialidade seriam necessárias um milhão e 22 mil horas/ano de trabalho médico e, mesmo que todos os ginecologistas/obstetras exercessem no SNS apenas seriam suficientes para 706 mil horas/ano.
Questionado pelos deputados sobre o saldo entre os médicos que saem e os que entram no SNS, disse que “tem sido positivo” e realçou o despacho publicado na semana passada que permite a contratação de até 1.111 médicos aposentados este ano, mais 41 do que em 2025.
“O que o SNS tem feito com os médicos reformados é permitir que continuem a assegurar a continuidade da prestação de serviço, para evitar lacunas na capacidade”, disse, assegurando que a capacidade de prestação de serviço não tem diminuído e que “o saldo líquido não é negativo”.