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“Pessoas temeram pela vida”: Kristin destrói empresa inaugurada há 12 dias na zona industrial de Soure
A passagem da depressão Kristin pelo concelho de Soure provocou elevados prejuízos materiais, com especial impacto na zona industrial, onde uma empresa foi praticamente destruída pelo vento forte.
Quatro pavilhões industriais foram afetados, três dos quais ficaram completamente destruídos, com os telhados arrancados e estruturas colapsadas. A empresa tinha iniciado atividade há apenas 12 dias.
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Em declarações ao Notícias de Coimbra, o sócio-gerente da empresa, Nelson Rodrigues, explicou a dimensão da tragédia: “Levou-nos um ano e meio a construir estas infraestruturas. Mudámos toda a maquinaria em dezembro, preparámos tudo para arrancar no dia 5… e em menos de meia hora ficou tudo assim.”
Segundo o empresário, os prejuízos poderão ultrapassar meio milhão de euros, embora ainda não exista uma estimativa final: “Não consigo ainda contabilizar tudo, mas falamos seguramente de mais de meio milhão de euros.”
A empresa emprega 11 trabalhadores, mas neste momento apenas 20 a 30% da atividade está operacional: “Está tudo atrasado. Os materiais que estavam produzidos ficaram completamente destruídos. A fábrica ficou alagada porque os telhados estão destapados.”
Nelson Rodrigues descreveu ainda os momentos de pânico vividos durante a madrugada, numa empresa que labora 24 horas por dia: “Eu moro a cerca de 200 metros. Senti o vento e liguei para aqui. Disseram-me que aquilo estava tudo a voar. Os pilares começaram a ceder, as telhas a serem arrancadas… foi aterrador. As pessoas temeram pela vida.”
Ao chegar ao local e ver a empresa destruída, o empresário admite ter ficado sem palavras: “Nem sei explicar. Fiquei completamente desolado. É o trabalho de uma vida.”
Além da destruição das infraestruturas, a recuperação está a ser dificultada pela falta de materiais, mão de obra e pelas condições meteorológicas, o que impede intervenções imediatas: “Já tentámos reparar parte do telhado, mas o tempo não ajuda. Vai levar muitos dias, talvez meses, até conseguirmos recuperar.”
O empresário apela agora a apoios, para além dos seguros: “Vai ser difícil até tratar das ajudas. Há limpezas, orçamentos, máquinas que têm de ser deslocadas para outras unidades. Se não entregarmos aos clientes, eles vão procurar noutros sítios… e depois é muito difícil recuperá-los.”
Aos 49 anos, Nelson Rodrigues confessa que não esperava enfrentar uma situação destas: “Faço 50 este ano e não estava à espera de uma prenda destas. Mas a vida continua. Não vamos baixar os braços. Vamos reerguer-nos.”
O rasto de destruição deixado pela depressão Kristin é visível em toda a zona industrial de Soure, num cenário que reflete a violência do temporal e o impacto profundo na economia local.
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