Coimbra

“Tenho medo”: Cabouco calmo (para já) mas aldeia vive com coração apertado

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 3 horas atrás em 04-02-2026

O Cabouco, em Coimbra, vive nesta manhã, 4 de fevereiro, uma calma aparente, mas a população mantém-se em alerta devido à subida do rio Ceira, que ainda não galgou as margens, mas continua a aumentar.

PUBLICIDADE

publicidade

Um exemplo é o Café Snack Bar O Tolan, o único café da aldeia, cuja proprietária, Lurdes Antunes, retirou praticamente todo o equipamento após as cheias de 30 de janeiro, que provocaram grandes prejuízos. “Tirei tudo. Ando com a casa às costas… apenas ando com a máquina do café, é só o que eu tenho. Só ficou aqui a máquina do café”, relatou.

A máquina que se mantém no café não é sua e foi emprestada, mas continua a ser utilizada para servir os habitantes da aldeia. “Esta foi um senhor que me emprestou. Não é minha. A máquina estragou-se nas últimas cheias e ainda está a mandar luz abaixo”, acrescentou.

Lurdes mostrou as marcas deixadas pela água no café: “Subiu até este risco”, referiu, enquanto indicava o nível que a água atingiu durante o episódio anterior. Para prevenir novos danos, a proprietária já começou a remover tudo que pudesse ser afetado com a subida prevista do rio: “Já esta noite levei tudo, porque o rio estava a subir, depois acalmou, de manhã pus a máquina do café, é a única coisa com a qual estou aqui a servir.”

Descreveu ainda o medo que se vive na aldeia, especialmente com as previsões de chuva para o final da tarde e madrugada seguinte: “Sim, levo tudo com o coração nas mãos… Eles estão a prever que o caudal do rio aumente, e disseram-me para tirar as garrafas porque a água poderá subir mais do que em 2001. Tenho medo, tenho.”

Até ao momento, os prejuízos não foram totalmente contabilizados, mas a proprietária já sofreu perdas significativas devido à subida das águas e aos danos provocados nos equipamentos elétricos.

O Cabouco mantém-se assim em alerta, com moradores a prepararem-se para o que poderá ser um dos piores episódios de cheias da região, enquanto as autoridades monitorizam o caudal do rio Ceira.