A ministra do Ambiente e Energia anunciou hoje que o concurso público para a construção da barragem de Girabolhos vai ser lançado até final de março, estando ainda previstas obras em toda a bacia do Mondego.
“Vamos avançar com a barragem de Girabolhos [no concelho de Seia]. Vou fazer um despacho a solicitar à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) para lançar o concurso de Girabolhos até ao final de março”, informou Maria da Graça Carvalho.
A ministra do Ambiente e Energia preside esta tarde à reunião da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), dedicada ao ponto de situação no rio Mondego e à definição e articulação de medidas de mitigação e controlo de cheias na região Para além do presidente da APA, participam no encontro, que decorre em Coimbra, alguns presidentes de Câmara.
Maria da Graça Carvalho interrompeu a reunião para falar aos jornalistas e vincar a necessidade de uma obra que vem fazer com que “não se continuem a correr riscos com o rio Mondego”.
“Isto é possível. No passado houve estudos feitos e trabalhos preparatórios, portanto, no final de março pode ser lançado o concurso de Girabolhos”, assegurou.
De acordo com a governante, o Mondego é o rio que mais preocupa em todo o país, justificando-se “uma obra que torne o Mondego mais resiliente”.
“A nossa principal prioridade é preparar o país para ser mais resiliente a estas intempéries, às alterações climáticas e a todas as intempéries”, acrescentou.
À APA vai solicitar a definição do calendário da construção e dos objetivos da barragem de Girabolhos, no rio Mondego. O projeto abrange território dos concelhos de Seia e de Fornos de Algodres, no distrito da Guarda, e de Nelas e de Mangualde, no distrito de Viseu.
“É uma barragem de retenção de água, que pode também ter multiusos, mas o principal uso é de controle de cheias. Portanto, é um concurso que tem de ser feito, que é aberto aos privados ou às águas de Portugal que queiram concorrer”, indicou.
A ministra do Ambiente e Energia avançou ainda que quem ganhar o concurso público desta obra irá receber uma compensação, “pelo trabalho público que faz por controlar as cheias”.
“No meu despacho vou pedir à APA para calcular qual é a remuneração do serviço público de controle de cheias que, se for um privado, ou mesmo as águas de Portugal, vão receber por esse serviço público que prestam à comunidade”, concluiu.
Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.